Lula classifica a atual campanha eleitoral como a mais caótica desde sua estreia em 1989

Nesta quarta-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu a seus aliados que sua campanha para a reeleição não atingiu as expectativas, considerando a organização do primeiro turno como a menos eficiente desde que começou a disputar eleições presidenciais em 1989. Essa declaração foi feita durante um encontro com parlamentares, tanto os já eleitos quanto os que estão em campanha, e contou com a presença de Edinho Silva, presidente nacional do PT e coordenador da campanha.

<p“Eu sinto que nossa campanha ficou abaixo do que poderia ser. Poderíamos ter nos esforçado mais. Comuniquei ao Edinho que esta foi a disputa menos estruturada em que estive desde 1989”, comentou Lula. Sua afirmação, proferida de maneira descontraída, evidenciou uma crítica pública à gestão da campanha, especialmente após o presidente terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O encontro foi transmitido pelo canal oficial do PT no YouTube, mas a transmissão foi interrompida logo após as declarações de Lula, retornando cerca de 13 minutos depois. Esse incidente gerou uma repercussão significativa sobre o conteúdo da reunião.

Lula também expressou sua expectativa de terminar o primeiro turno à frente de seu opositor e comentou sobre a surpresa com o resultado. “Nesta eleição, eu não conseguia imaginar como não venceríamos, considerando as entregas que fizemos. (…) Isso não foi suficiente para convencer uma parte da sociedade sobre nosso trabalho”, declarou.

Em decorrência dos resultados insatisfatórios, a equipe de campanha do PT começou a reavaliar suas estratégias para o segundo turno. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%, ficando atrás na contagem.

A comunicação tornou-se um dos focos primordiais para essa nova estratégia. Aliados sugerem uma maior presença de Lula nas redes sociais e um discurso mais direto. O presidente já começou a gravar vídeos no estilo selfie, convocando seus apoiadores para se mobilizarem nas ruas e apresentando ideias para o segundo turno. Além disso, houve um aumento na abordagem de temas como segurança pública e mudanças na escala de trabalho 6×1.

Além das alterações na comunicação, houve também um fortalecimento na estrutura organizacional da campanha. O senador Camilo Santana (PT-CE) agora compartilhará a coordenação-geral com Edinho Silva. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Rui Costa e Jaques Wagner deverão ter um papel mais ativo na articulação política e territorial da campanha. Essa reorganização acontece em vista do segundo turno marcado para 25 de outubro.

Durante o encontro, Lula ainda ressaltou a importância da unidade entre os partidos de esquerda. Para ele, seria viável que as legendas progressistas formassem um único partido no futuro. “Haverá um dia em que todos os partidos da esquerda estarão reunidos em uma só sigla. Isso é uma questão de maturidade e tempo. Muitas vezes as divergências não são programáticas; são apenas questões sobre quem está no poder e não quer abrir mão”, afirmou.

By Portal de Canoas