No setor agrícola, o controle do momento ideal para iniciar as operações com a maquinaria nem sempre está nas mãos dos agricultores. Fatores climáticos podem antecipar ou postergar o plantio, além de restringir o tempo disponível para realizar atividades que precisam ser desenvolvidas em áreas extensas, que podem chegar a centenas ou milhares de hectares.
Durante anos influenciados pelo fenômeno El Niño, essas situações se tornam ainda mais complexas. No Sul, as chuvas excessivas podem saturar o solo, dificultando o plantio. Em contrapartida, regiões do Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste enfrentam irregularidades nas precipitações e ondas de calor que aumentam os riscos para as atividades agrícolas.
<pAssim, quando finalmente ocorrem as condições ideais de clima e solo, é fundamental que a máquina esteja em perfeitas condições. Um imprevisto mecânico nesse instante pode significar muito mais do que uma simples pausa para reparo: implica em perda de horas produtivas, atrasos no cronograma estabelecido, aumento nos custos e diminuição da capacidade de aproveitar uma janela operacional já restrita.
Gestão estratégica no campo
A manutenção das máquinas passou a ser um aspecto estratégico na administração das propriedades rurais, não se limitando mais a ações corretivas. Em vez de aguardar por problemas mecânicos, o monitoramento constante dos dados, a lubrificação regular e a análise dos fluidos possibilitam a identificação precoce de desgastes e ações preventivas.
“O funcionamento da máquina assemelha-se à lógica do corpo humano: cada parte do sistema é crucial e deve operar em harmonia”, explica Wesley Baldo, diretor comercial da Promarcas.
Lubrificação planejada
De acordo com Baldo, o primeiro passo consiste em compreender bem a operação e selecionar adequadamente os produtos a serem utilizados. A escolha do lubrificante deve levar em conta as especificações do equipamento, recomendações técnicas e as condições operacionais. “Primeiramente, é essencial indicar corretamente o produto mais eficiente e com melhor relação custo-benefício. Depois disso, realizamos um diagnóstico juntamente com o cliente antes de partirmos para a análise do lubrificante”, esclarece.
Embora os gastos com lubrificação representem cerca de 1% do total despendido em manutenção, falhas relacionadas a essa área podem acarretar custos significativamente maiores. “Muitas vezes, o produtor não percebe a importância disso porque não vê imediatamente como afeta os custos gerais de manutenção e, consequentemente, a disponibilidade da máquina e sua produtividade. É um detalhe pequeno que pode ter grandes repercussões na operação”, destaca.
Redução comprovada de custos
A importância do monitoramento torna-se clara quando se considera o custo associado ao tempo em que uma máquina permanece parada durante períodos críticos. Baldo menciona casos onde ações preventivas evitaram perdas exorbitantes. “Em situações recentes documentadas, conseguimos identificar problemas antes que se agravassem e redirecionar nossos esforços para evitar falhas. Em algumas circunstâncias, isso resultou em economias superiores a R$ 5 milhões por ano somente com peças. O trabalho preventivo pode reduzir os custos de manutenção em até 50%, dependendo da operação”, afirma.
A análise como “exame de sangue”
Uma das ferramentas utilizadas nesse processo é a análise do lubrificante utilizado nas máquinas, comparada por Baldo a um exame médico. “A avaliação do lubrificante funciona como um exame de sangue: recebemos dados brutos que precisam ser interpretados corretamente. Essa interpretação deve levar em consideração o contexto operacional do cliente”, explica.
Dentre os parâmetros analisados estão viscosidade e presença de contaminantes como sílica. Embora sua presença isoladamente não indique problemas imediatos, concentrações elevadas requerem investigação adicional. Com base nos resultados obtidos, a equipe realiza verificações específicas na propriedade para evitar complicações maiores.
Transformando dados em decisões
O verdadeiro desafio reside em converter os resultados obtidos em informações práticas e úteis para o dia a dia das operações agrícolas. Para isso, a Promarcas possui um departamento técnico dedicado ao acompanhamento dessas análises, organização dos dados em sistemas gerenciais e identificação de alterações ao longo do tempo.
Esse procedimento pode incluir o desenvolvimento de planos específicos para lubrificação que estabelecem rotinas padronizadas. “Na prática, essa combinação entre planejamento da lubrificação, coleta de dados, análise dos fluidos e suporte técnico cria uma camada extra de proteção para as operações no campo”, complementa Baldo.
A proposta é fazer da manutenção um processo contínuo onde dados históricos orientem intervenções antes que falhas comprometam tanto o desempenho das máquinas quanto janelas críticas para trabalho no campo. “Além disso, colaboramos com a linha de lubrificantes Bardahl que oferece produtos de alto desempenho para diversas aplicações. O objetivo é unir qualidade dos produtos ao suporte técnico oferecido ao cliente”, finaliza Baldo.
