“Mais Alckmin e menos Janja”. Este foi o recado da ex-senadora Kátia Abreu durante uma reunião ampliada da liderança do PT, realizada na última terça-feira (6). Segundo ela, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a reeleição necessita de mudanças significativas, com um foco maior no vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a fim de conquistar o centro do espectro político.
A crítica de Kátia foi bem recebida pelos presentes no encontro, incluindo deputados, senadores e aliados do PT, que também têm defendido “menos artistas e mais conexão com o povo” nas comunicações eleitorais de Lula.
Integrante do PT desde abril deste ano, Kátia coordena a campanha presidencial no Tocantins. Com uma carreira política enraizada no agronegócio, já presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ocupou o cargo de ministra da Agricultura durante o governo Dilma Rousseff. Anteriormente, era uma crítica ferrenha do partido, tendo transitado por legendas como DEM (atualmente União Brasil), PP e MDB.
A menção à primeira-dama Janja serviu como um exemplo dos erros cometidos na campanha de Lula durante o primeiro turno. Em busca de se aproximar da centro-direita nesta nova fase da disputa, o presidente escalou Alckmin para essa tarefa.
A assessoria de Janja divulgou uma nota afirmando que a primeira-dama conta com total apoio de Lula em suas atividades. “Independentemente das especulações, Janja continuará participando da campanha. Seu papel é legítimo e sempre respaldado pelo presidente Lula. O foco de todos é unânime: reeleger o presidente!”, destacou a nota.
O plano do PT inclui aproveitar a rejeição ao candidato Flávio Bolsonaro, do PL, que superou Lula na primeira rodada eleitoral. A estratégia envolve também instigar o medo sobre as possíveis consequências de uma vitória do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As observações feitas por Kátia não são um caso isolado. Desde os resultados das urnas no domingo (4), líderes do PT e seus aliados têm realizado um verdadeiro “processo de caça às bruxas” para encontrar responsáveis pelo que consideram uma “tragédia anunciada”.
A atuação de Edinho Silva, presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Lula, vem sendo bastante contestada por colegas. Da mesma forma, o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também está sob críticas; ele é sócio do publicitário Raul Rabello, responsável pela propaganda eleitoral do presidente.
No encontro realizado na noite de segunda-feira entre Lula, Edinho e Sidônio, membros do partido expressaram que a campanha no primeiro turno foi “despolitizada”. As críticas apontaram que os programas eleitorais priorizaram temas considerados “abstratos”, como “terras raras”, enquanto Flávio abordava questões mais tangíveis como os preços dos alimentos nos supermercados.
Muitos líderes petistas também têm manifestado insatisfação quanto à escassez de material promocional para ser distribuído nos Estados e à falta de coordenação política nas ações partidárias.
Com menos de 20 dias até a próxima fase da disputa eleitoral, Lula decidiu designar Camilo Santana, líder do PT no Senado, para compartilhar a liderança da campanha com Edinho. Camilo ganhou reconhecimento após trabalhar na reeleição do governador cearense Elmano de Freitas (PT), que enfrentou um desafio significativo contra Ciro Gomes (PSDB).
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sugeriu ao presidente que compartilhe mais selfies nas redes sociais. “Precisamos aprimorar nossa presença digital e comunicar nossas conquistas”, recomendou Fonteles. Lula retrucou dizendo que prefere focar apenas no essencial ao utilizar o celular.
No entanto, nesta quarta-feira (7), ele decidiu gravar uma selfie em resposta às sugestões. “Você notou que o Congresso Nacional começou a debater sobre o fim da escala 6×1? Quero saber como Flávio Bolsonaro vai votar e qual será sua orientação ao PL”, afirmou o presidente. Ele completou: “Agora é hora do povo conhecer a verdade: quem realmente é quem neste País”.
A proposta para acabar com a escala 6×1 é uma das bandeiras centrais da campanha de Lula. Flávio referiu-se à proposta de emenda à Constituição (PEC) como “oportunista” e tem evitado se posicionar sobre seu voto em relação ao texto atualmente em discussão no Senado.
