Em 2025, o cenário do trigo no Sul do Brasil reflete a atual situação dos produtores rurais, com a perda de destaque do cereal em nível nacional. Os resultados das últimas safras foram negativos, impactando a renda do setor.
O trigo mais uma vez assumiu o papel de “patinho feio” na produção da região. No final da janela de semeadura, muitos produtores optaram por outras culturas de menor custo, deixando de lado o trigo.
O pousio seria a escolha mais prejudicial para o sistema produtivo. Houve uma redução significativa na área de trigo, semelhante ao que ocorreu em 1990/91, quando apenas 300 mil hectares foram semeados devido à abertura de mercado.
Neste ano, houve um movimento semelhante, mas em menor escala. No Sul, entre o RS e o PR, as culturas de inverno estão escassas, com muitas áreas destinadas ao trigo agora sendo ocupadas por plantas de cobertura, como aveia e nabo. Os agricultores que decidiram plantar trigo o fizeram com atraso, e a janela de semeadura ainda está aberta.
O crédito chegou tarde e a incerteza influenciou as decisões. Estima-se que a área plantada no Rio Grande do Sul fique entre 700 e 800 mil hectares, com lavouras de baixo a médio investimento.
O impacto é evidente: os produtores de sementes não conseguiram vender metade de seus estoques, afetando toda a cadeia produtiva. Menos área plantada significa menos produção, insumos e serviços, criando um cenário de incerteza. “O Agro é uma fábrica ao céu aberto!”
*Márcio Só e Silva, engenheiro agrônomo e pesquisador da Semevinea Genética Avançada
