Preços da carne bovina devem disparar para os brasileiros até o fechamento do ano

O Brasil atingiu o limite de exportação de carne bovina para a China e, como resultado, deverá diminuir as remessas para o país até o encerramento do ano. Entretanto, essa situação não implica em um excesso de carne disponível no mercado nacional. Na verdade, a expectativa é que os preços do produto aumentem ainda mais no último trimestre. A China, que é o maior importador da carne brasileira, estabeleceu uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com uma tarifa reduzida de 12%. Após esse volume ser alcançado, a tarifa é elevada para 55%, o que diminui consideravelmente a competitividade da carne brasileira.

Atualmente, os frigoríficos estão diminuindo o abate de bois, resultando em uma produção menor de carne. Sem um aumento na oferta, é provável que os preços nos supermercados permaneçam altos. A carne é transportada para a China por navios, com viagens que levam aproximadamente 40 dias. Em janeiro do próximo ano, a cota será renovada, permitindo novamente a entrada do produto brasileiro no mercado chinês.

Diante disso, ao se aproximar do final do ano, os frigoríficos devem ajustar sua produção para atender à demanda da China prevista para 2027. Simultaneamente, o consumo interno tende a crescer devido às festividades de fim de ano, o que gera pressão adicional sobre os preços. Larissa Alvarez, analista da StoneX em inteligência de mercado, afirma que as cotas impostas pela China alteraram significativamente a dinâmica do mercado bovino no Brasil.

Historicamente, a demanda chinesa por carne bovina aumentava no segundo semestre para as celebrações do Ano Novo Chinês. Com a implementação das cotas, os frigoríficos passaram a competir para exportar antes que o limite fosse atingido. Como resultado dessa concorrência acirrada, o preço do boi gordo alcançou um recorde de R$ 365 em abril.

Com a diminuição das compras por parte da China, o setor começou a reduzir os abates. Comparando maio de 2025 e maio de 2026, observou-se uma queda de quase 3%. A tendência é que essa retração se intensifique nos próximos meses. Apesar da diminuição dos abates, ainda há animais disponíveis para venda. Por isso, atualmente o preço do boi gordo está em declínio e gira em torno de R$ 330, conforme informado por Fernando Iglesias da Safras & Mercado.

“O fato é que estamos lidando com uma atividade cujo ciclo é longo; portanto, torna-se mais desafiador para os pecuaristas brasileiros ajustarem rapidamente sua produção. As decisões nesse sentido são tomadas com mais cautela”, explica Iglesias.

No entanto, esse período com preços mais baixos não deverá durar muito tempo. No último bimestre deste ano, espera-se que o setor comece a preparar a carne destinada à China em janeiro.

“Um dos principais problemas nessa situação é que haverá uma menor disponibilidade de gado para abate nesse período. O clima seco causado pelo super El Niño também afetará as condições das pastagens e diminuirá ainda mais a disponibilidade para abate”, destaca Iglesias.

Esse conjunto de fatores pode resultar em um aumento nos preços da carne no Brasil justo quando há um crescimento na demanda interna devido às festas de fim de ano. Atualmente, segundo Iglesias da Safras & Mercado, há baixa procura por carne no país e isso não sustenta os valores pagos aos produtores neste momento. “Tínhamos alguma expectativa positiva em relação à Copa do Mundo, mas a eliminação da seleção brasileira impactou negativamente essa situação”, complementa.

Conforme aponta Bruno Capuzzi do Insper Agro Global, esse cenário pode manter o preço do boi em patamares mais baixos temporariamente aliviando assim os consumidores. Além disso, ele ressalta que as férias coletivas nos frigoríficos não significam uma redução na oferta interna; tratam-se apenas ajustes no volume exportado.

 

By Portal de Canoas