Seminário “Campo das Ideias” vislumbra um futuro brilhante para a agricultura no Rio Grande do Sul e no Brasil

A segunda edição do Seminário Campo das Ideias, organizado pelo Senar-RS com o apoio da Farsul, teve lugar no Teatro do Bourbon Country e reuniu especialistas de diferentes partes do mundo para discutir os desafios e as perspectivas do agronegócio e da economia no Brasil. O evento se firmou como um espaço estratégico, abordando assuntos relevantes como sustentabilidade, bioenergia e a integração global do setor agropecuário.

Abertura voltada para a sociedade

Eduardo Condorelli, superintendente do Senar-RS e anfitrião da ocasião, enfatizou que o seminário representa uma oportunidade para refletir sobre “nossa posição atual, a importância do setor, suas responsabilidades e as inovações necessárias”. O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, acrescentou que a escolha de um teatro em ambiente urbano simboliza a urgência de conectar a sociedade com a realidade rural: “é fundamental mostrar ao público urbano o trabalho de excelência que realizamos diariamente”.

Análise econômica e o término da hiperglobalização

Na abertura do evento, o economista Eduardo Giannetti fez uma análise do cenário econômico atual e sugeriu que o encerramento da “hiperglobalização” pode trazer benefícios ao Brasil. Ele argumentou que o país possui potencial para aumentar suas exportações e se estabelecer como um participante relevante no cenário global, desde que haja investimentos em educação, infraestrutura logística e equilíbrio fiscal.

Sustentabilidade e questões climáticas

No primeiro painel, Jorge Meza, representante da FAO, junto com André Corrêa do Lago, presidente da COP30, discutiram práticas agrícolas sustentáveis. Meza ressaltou que “adaptação e mitigação devem andar juntas” na agricultura, citando exemplos de sistemas integrados de cultivo que aumentam a rentabilidade enquanto capturam carbono. Corrêa do Lago destacou o papel importante do Brasil nas discussões globais sobre clima.

Bioenergia como uma oportunidade estratégica

<pDurante a tarde, a conversa sobre biocombustíveis contou com as participações de Décio Odonne, ex-diretor da ANP, e Leandro Luiz Zat, vice-presidente da Be8. Odonne defendeu a ideia de que não haverá uma simples substituição das fontes energéticas; em vez disso, haverá uma coexistência de várias delas. Zat revelou que sua empresa planeja utilizar arroz gaúcho como matéria-prima para biodiesel, destacando a versatilidade da planta situada no norte do Estado. A mediação deste painel ficou por conta de Fernando Rechsteiner, diretor-presidente da Farsul.

Os desafios na indústria leiteira

O painel final se concentrou na pecuária leiteira. Rafael Junqueira, representante da Lactalis do Brasil, lembrou que mesmo sendo um dos principais produtores globais de leite, o Brasil ainda depende de importações desse produto de países vizinhos como Uruguai e Argentina. Ele apontou que é crucial transformar o Brasil em um exportador de produtos lácteos por meio de melhorias na produtividade e eficiência.

Tendências futuras no agronegócio

Para encerrar o seminário, Ana Paula Repezza, presidente da CropLife Brasil, apresentou as tendências que poderão influenciar o futuro do agronegócio:

  • aumento populacional e demanda por dietas mais equilibradas;
  • produção sustentável;
  • integração de Inteligência Artificial e drones;
  • inovação para promover resiliência climática;
  • efeitos geopolíticos nas cadeias produtivas.
By Portal de Canoas