O seminário Campo de Ideias, realizado no Rio Grande do Sul, promoveu uma discussão abrangente sobre a importância da agricultura e da pecuária na evolução social e econômica do estado. Em uma entrevista, Eduardo Condorelli, presidente do Sistema Farsul, enfatizou que o principal objetivo do encontro é “possibilitar uma reflexão profunda sobre o futuro da nossa sociedade, destacando como o Rio Grande do Sul, com sua vocação nacional, pode utilizar a agricultura e a pecuária para converter os esforços do campo em oportunidades e bem-estar para os 11 milhões de gaúchos”.
Responsabilidades locais frente a desafios globais
Condorelli também sublinhou que o seminário visa posicionar o Rio Grande do Sul no contexto global ao abordar questões como segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e o papel do Brasil na estabilidade climática. Ele alertou que a crescente reputação internacional da produção gaúcha traz consigo uma responsabilidade adicional: “não só alimentar milhões de pessoas ao redor do mundo, mas também ajudar na manutenção da estabilidade climática”.
A ascensão da bioenergia: o “unicórnio dourado”
<pUm dos aspectos mais destacados por Condorelli foi a defesa da bioenergia como uma oportunidade estratégica para o estado. Ele comparou este setor a um “cavalo encilhado, quase um unicórnio dourado”, capaz de proporcionar renda e qualidade de vida em uma escala que pode ser igual ou superior à produção de alimentos. O Rio Grande do Sul já se destaca na produção de biodiesel e está avançando no etanol; no entanto, segundo ele, ainda é necessário entender como transformar esse potencial em benefícios reais para a população.
Exploração de novos mercados internacionais
Outro ponto levantado foi a necessidade de expandir os mercados internacionais. Condorelli observou que a demanda interna, restringida pela renda média dos brasileiros, não será suficiente para aproveitar toda a capacidade produtiva do país. Ele citou a cadeia da pecuária leiteira como um exemplo que precisa superar barreiras para realizar exportações e destacou que o seminário busca diretrizes para aumentar a presença gaúcha no comércio internacional.
Desenvolvendo resiliência frente às mudanças climáticas
Ao discutir os efeitos do El Niño e das inundações previstas para 2024, Condorelli ressaltou a necessidade urgente de implementar mecanismos que assegurem resiliência na agricultura. Ele mencionou que o aumento na produtividade por hectare já ajuda na conservação de milhões de hectares de ativos ambientais, mas advertiu que o estado não pode arcar com novas perdas semelhantes às registradas em anos anteriores. “O primeiro passo para vencer é parar de perder”, disse ele, defendendo políticas técnicas e financeiras que garantam uma produção mínima mesmo sob condições adversas.
Em resumo, as declarações de Eduardo Condorelli reiteram que o futuro do Rio Grande do Sul depende de três pilares:
- Bioenergia como motor para o desenvolvimento
- Ampliação nos mercados internacionais
- Resiliência climática e tecnológica na agricultura
Essa perspectiva coloca o estado não apenas como um simples produtor de alimentos, mas como um ator central na transição energética e na promoção da sustentabilidade global.

