Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul realiza discussão sobre o enfrentamento do feminicídio

Recentemente, especialistas e membros da sociedade se reuniram em Porto Alegre para discutir um dos problemas mais urgentes do país, o feminicídio em 2025.

No dia 10 de março, o Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (SENGE-RS) demonstrou seu comprometimento com a defesa da vida e a promoção da equidade ao realizar o debate “Combate ao Feminicídio: responsabilidade de todos nós”. O encontro reuniu homens e mulheres no auditório da entidade e trouxe à tona uma das questões mais urgentes da realidade brasileira: a violência letal contra mulheres.

O feminicídio, como destacado ao longo das discussões, não pode ser abordado apenas como uma questão de segurança pública. É um fenômeno social enraizado em desigualdades históricas, que requer ação institucional, compromisso coletivo e participação ativa de diversos setores da sociedade. Ao abrir espaço para essa reflexão, o SENGE-RS reitera sua missão de contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária, onde a valorização da vida seja prioridade.

A mediação foi conduzida pela jornalista Kelly Matos, que proporcionou clareza e coesão ao debate. Sua experiência em conduzir diálogos públicos trouxe sensibilidade e profundidade, ampliando a reflexão sobre a responsabilidade social diante da violência de gênero.

Durante o debate, Alessandra Moura Bastian da Cunha, Subprocuradora-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais do Ministério Público do RS, ressaltou a importância de estruturas públicas preparadas para acolher e proteger vítimas, além de destacar a necessidade de respostas efetivas e articuladas para combater o feminicídio. Sua intervenção evidenciou que o enfrentamento requer seriedade e responsabilidade institucional.

Já a engenheira agrônoma e extensionista rural Cecilia Margarida Bernardi, da EMATER-RS, contextualizou o feminicídio dentro de um cenário mais amplo de desigualdade estrutural. Salientou que a luta também envolve a transformação das relações sociais e a presença ativa das mulheres em espaços de decisão e representatividade. Sua contribuição reforçou que a batalha contra a violência é inseparável da busca pela equidade.

Os dados recentes sublinham a urgência do tema. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 1.500 casos de feminicídio em 2025, equivalendo a quatro mulheres assassinadas por dia. Desde a implementação da Lei do Feminicídio em 2015, mais de 13 mil mulheres foram mortas por essa razão. Essas estatísticas demonstram a gravidade do problema e evidenciam que debates como o realizado pelo SENGE-RS são essenciais para mobilizar a sociedade e as instituições.

No âmbito nacional, o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado em 2026, busca articular ações de segurança, justiça e políticas sociais. No Rio Grande do Sul, iniciativas como a Rede Lilás e os Centros de Referência da Mulher atuam no acolhimento, mas enfrentam desafios de recursos e alcance. O evento do SENGE destaca que entidades civis e profissionais também têm papel ativo na mobilização social contra a violência de gênero.

Ao promover essa reunião, o SENGE-RS reforça que combater o feminicídio é proteger a vida e que essa responsabilidade não deve ser atribuída apenas ao Estado. É um compromisso coletivo que demanda engajamento constante, consciência social e articulação institucional. Mais do que uma discussão, a iniciativa foi um chamado à ação: combater o feminicídio é uma responsabilidade de todos nós. (Por Gisele Flores – [email protected])

By Portal de Canoas