Parceria Mercosul– UE na Expodireto impulsiona horizonte da indústria do Rio Grande do Sul

Na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, o painel promovido por FIERGS, Simers e InvestRS deixou claro que o Rio Grande do Sul tem uma oportunidade única pela frente. O acordo Mercosul-União Europeia, que deverá ser implementado até 2026, pode posicionar o estado como um protagonista na integração econômica e tecnológica entre a América do Sul e a Europa. Não se trata apenas de abrir mercados, mas sim de redesenhar o papel da indústria gaúcha de máquinas agrícolas em um cenário global em constante transformação.

O setor já possui uma base sólida: são 566 indústrias de máquinas agrícolas, que empregam mais de 30 mil pessoas e exportam anualmente US$ 551 milhões, com uma presença significativa na Argentina, Paraguai e Estados Unidos. A qualificação da mão de obra e a modernização tecnológica são apontadas como diferenciais para atrair investimentos europeus. Além disso, a valorização crescente da agricultura sustentável no Brasil fortalece a imagem do RS como fornecedor de soluções ambientalmente responsáveis – um fator crucial para consumidores europeus que buscam práticas sustentáveis.

O acordo também abre caminho para a diversificação. Atualmente, a União Europeia representa apenas 4,17% das exportações gaúchas de máquinas agrícolas, mas a ampliação das cotas de arroz e outros produtos agrícolas pode impulsionar a produção no campo e, consequentemente, estimular a demanda interna por máquinas e implementos. Isso poderá atrair novas indústrias para o estado, criando empregos e solidificando o RS como um centro tecnológico no agronegócio.

O cenário internacional favorece essa transição. A guerra entre Rússia e Ucrânia reduziu a oferta de máquinas agrícolas no Leste Europeu, abrindo espaço para o Brasil ocupar nichos estratégicos. Ao mesmo tempo, a melhora nas condições econômicas na Argentina e o crescimento no Paraguai fortalecem o ambiente regional. No entanto, existem desafios: incertezas tarifárias nos Estados Unidos e o aumento nos preços do petróleo e dos fertilizantes, agravado pelo conflito no Oriente Médio, podem aumentar os custos e reduzir a competitividade.

Para concretizar esse potencial, será fundamental enfrentar o chamado Custo Brasil. Investimentos em infraestrutura, desburocratização e segurança jurídica são considerados condições essenciais para que o RS aproveite ao máximo o acordo. A indústria gaúcha também terá que se adaptar aos padrões internacionais de qualidade e sustentabilidade exigidos pelo mercado europeu, o que implica em certificações e inovação contínua.

Em resumo, o painel da Expodireto mostrou que o Rio Grande do Sul possui os recursos humanos, a base industrial e a vocação agrícola necessários para transformar o acordo Mercosul-UE em uma oportunidade histórica. Mais do que aumentar as exportações, trata-se de reposicionar o estado como um protagonista na integração econômica e tecnológica entre a América do Sul e a Europa. Se conseguir superar os desafios internos e aproveitar as oportunidades criadas pela conjuntura internacional, o RS poderá se estabelecer como uma referência global em inovação agrícola e sustentabilidade.

By Portal de Canoas