Fenasoja aprimora práticas de bem-estar animal na agricultura pecuária

No contexto de um agronegócio cada vez mais desafiado por demandas de mercado, questões de sustentabilidade e rastreabilidade, o bem-estar animal se transformou em um importante indicador técnico relacionado à produtividade, qualidade e competitividade. Durante a Fenasoja 2026, que ocorreu em Santa Rosa, este conceito assumiu um papel central no setor pecuário, evidenciando como a pecuária brasileira está se adaptando a novos padrões globais de cuidado animal.

Nos dez dias do evento, o manejo dos animais expostos foi tratado como uma prioridade operacional. O planejamento para garantir o bem-estar começou antes da chegada ao parque de exposições, com protocolos específicos elaborados para minimizar o estresse, evitar manejo excessivo e facilitar a adaptação dos rebanhos a um ambiente temporário diferente do habitual.

A escolha de programar a chegada dos animais após a cerimônia de abertura foi uma decisão estratégica. Diferentemente das edições anteriores, esta abordagem possibilitou um manejo logístico mais eficiente, redução da pressão operacional e uma adaptação gradual ao novo espaço. Essa estratégia considerou não apenas as rotinas das propriedades e a organização dos produtores, mas também priorizou o conforto dos animais.

O foco no bem-estar animal também se refletiu nas melhorias estruturais. Nesta edição, as camas feitas com casca de arroz foram ampliadas em espessura e altura, proporcionando melhor isolamento térmico e conforto físico aos animais. Essa iniciativa está alinhada com um conceito técnico valorizado na pecuária moderna: ao reduzir fatores que causam desconforto, melhora-se os índices fisiológicos, sanitários e produtivos.

Elisandra Simão Reis, presidente da Comissão de Pecuária da feira, destacou que o acompanhamento do bem-estar é contínuo e envolve monitoramento constante do comportamento dos animais. “Estamos observando a ingestão de ração e água em todos os momentos do dia, até mesmo à noite. Indicadores como frequência respiratória tranquila, ruminação em repouso e movimento são sinais de que eles estão confortáveis. É fundamental que os animais demonstrem comportamentos naturais da espécie, incluindo curiosidade”, afirmou.

Esse depoimento representa uma mudança significativa na percepção sobre o bem-estar animal. A compreensão passou de uma visão estritamente relacionada à ausência de sofrimento para uma avaliação baseada na capacidade do animal de exibir comportamentos naturais — um dos principais parâmetros reconhecidos por certificações e protocolos técnicos internacionais.

Outro aspecto relevante nesta edição foi a abordagem inovadora no manejo hídrico. Para incentivar o consumo dos animais e aumentar a palatabilidade da água disponibilizada a eles, foram adicionadas frutas cítricas à bebida. Essa estratégia busca reduzir a rejeição provocada pela alteração no sabor da água em relação àquela consumida nas propriedades originais.

A disposição dos animais dentro dos pavilhões também foi otimizada. As argolas foram organizadas de forma intercalada, ampliando o espaço individual e permitindo maior liberdade para movimentação. A configuração levou em consideração a posição do sol durante o dia, minimizando a exposição excessiva ao calor e proporcionando melhor conforto térmico.

No espaço dedicado aos pequenos ruminantes, manteve-se a mesma lógica: priorizar conforto e sustentabilidade. Os recintos foram construídos com materiais reaproveitados e projetados com áreas amplas para garantir melhor mobilidade e reduzir o estresse ambiental.

Essa atenção ao bem-estar animal reflete uma tendência global crescente. Os mercados consumidores e os padrões internacionais têm aumentado as exigências relacionadas ao bem-estar animal, englobando critérios desde transporte até manejo em ambientes de exposição. O tema tornou-se parte integrante da reputação das cadeias produtivas.

Na prática, sistemas produtivos que atendem aos indicadores de conforto animal mostram melhores índices reprodutivos, menor incidência de doenças e maior eficiência econômica. O retorno é significativo tanto em termos econômicos quanto sanitários e reputacionais.

Ao transformar o setor pecuário em um espaço para demonstração técnica, a Fenasoja reafirma que o futuro da produção animal não será moldado apenas por genética, nutrição ou tecnologia; será igualmente influenciado pela capacidade de respeitar as necessidades biológicas dos rebanhos. Na maior feira multissetorial do Brasil, fica claro que produtividade e bem-estar andam lado a lado — estabelecendo assim um novo padrão para a pecuária brasileira.

By Portal de Canoas