A transição para uma economia com baixa emissão de carbono se tornou mais do que uma questão ambiental; agora é vista como uma estratégia vital para fortalecer a competitividade, atrair investimentos e melhorar o posicionamento econômico no cenário global. Essa foi a mensagem transmitida pelo Governo do Rio Grande do Sul durante sua apresentação na Gramado Summit, realizada nesta sexta-feira. O evento incluiu um painel intitulado “Descarbonização agora: o Estado em compromisso com a agenda climática”, onde foram discutidos os avanços da política estadual de descarbonização.
O debate ocorreu na Arena de Conteúdos RS, um dos principais espaços do evento que reúne milhares de empreendedores, investidores e líderes do ecossistema de inovação. A discussão destacou a importância da agenda climática no Rio Grande do Sul não apenas como uma política ambiental, mas como parte de uma nova abordagem estatal que busca integrar sustentabilidade, inovação e crescimento econômico em um mundo cada vez mais exigente em relação às metas de redução de emissões.
A escolha da Gramado Summit para essa apresentação possui um simbolismo significativo.
Ao trazer o tema climático para um ambiente tradicionalmente vinculado à tecnologia, startups e novos negócios, o governo sinaliza uma mudança no paradigma: a descarbonização deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a ser percebida como uma oportunidade de inovação e aumento de competitividade.
<p.No painel, Marjorie Kauffmann, secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, apresentou dados cruciais gerados pela política climática estadual. O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (IEGEE) revelou uma redução significativa nas emissões líquidas em 26,8% e nas emissões brutas em 23,1% entre 2021 e 2023 no estado.
Esse dado é altamente relevante.
Mais do que um simples indicador técnico, ele reposiciona o Estado em um novo patamar dentro da governança climática nacional.
O inventário foi desenvolvido pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura em colaboração com a ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade. Baseado na metodologia estabelecida pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, considerado referência internacional no assunto, o inventário reforça a adoção de padrões globais que garantem mensuração adequada, transparência e credibilidade — elementos essenciais para atrair investimentos sustentáveis.
Em sua fala, Marjorie enfatizou que a agenda climática do estado evoluiu para se tornar uma política substancial.
“O Rio Grande do Sul tem progredido significativamente na construção de uma agenda climática sólida, fundamentada em dados robustos, planejamento estratégico e ações efetivas. Nossa meta é garantir um desenvolvimento sustentável que promova tanto eficiência quanto responsabilidade ambiental, contribuindo decisivamente para a transição global em direção a uma economia com baixa emissão de carbono”, declarou.
A declaração sintetiza a nova visão do Estado: converter metas climáticas em estratégias concretas para o desenvolvimento.
Esse movimento está respaldado pelo Proclima2050, um conjunto abrangente de iniciativas voltadas ao planejamento estadual para alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Mais que um plano ambiental isolado, esse programa atua como eixo central para decisões públicas e privadas relacionadas à adaptação às mudanças climáticas, mitigação dos impactos ambientais e incentivo ao financiamento verde.
Dentre as principais ações apresentadas estão o Programa ABC+ RS, focado na agropecuária com baixa emissão de carbono; o Proveg-RS, dedicado à recuperação da vegetação nativa; além da ampliação das áreas irrigadas e medidas específicas contra o desmatamento no Bioma Pampa.
A agenda energética também ganhou destaque significativo.
Foram abordadas iniciativas destinadas a fomentar a produção de biogás e biometano, ampliar fontes renováveis e desenvolver a cadeia do hidrogênio verde — um dos mercados mais promissores na nova economia global.
No âmbito econômico, ficou claro o desejo do Rio Grande do Sul de se tornar um player ativo no mercado climático internacional não somente como regulador, mas como protagonista desse processo.
A corrida global por descarbonização já movimenta trilhões em novos investimentos. Governos que conseguem transformar suas políticas climáticas em vantagens competitivas tendem a atrair capital inovador e cadeias produtivas com maior valor agregado.
Essa abordagem está alinhada ao Plano Rio Grande, sob liderança do governador Eduardo Leite. Este plano visa reconstruir o estado, promovendo resiliência diante dos novos desafios ambientais e estruturais enfrentados atualmente.
Após os eventos climáticos extremos que impactaram o território gaúcho recentemente, a agenda climática passou a ser considerada não apenas preventiva mas estrutural.
Outro aspecto ressaltado foi o reconhecimento internacional já obtido pelo estado. O progresso nos rankings globais referentes à governança climática indica que o Rio Grande do Sul está começando a solidificar sua reputação institucional como um território capaz de unir produção sustentável ao planejamento estratégico de longo prazo.
Ao concluir sua participação no evento, Marjorie reiterou que nenhuma transição será bem-sucedida sem um esforço conjunto entre governo, empresas e sociedade civil.
“A transição rumo a uma economia com baixa emissão de carbono requer comprometimento coletivo, inovação contínua e articulação entre diversos setores. O Estado está criando as condições necessárias para que o Rio Grande do Sul avance sustentavelmente com resiliência e competitividade tanto no cenário nacional quanto internacional”, afirmou.
A escolha da inovação como plataforma para discutir questões climáticas reafirma claramente ao mercado que descarbonizar é também uma forma eficaz de competir atualmente.

