A Polícia Federal (PF) realizou uma operação de busca e apreensão na residência de um ex-diretor do Banco Central e de um servidor que estariam ligados às fraudes do Banco Master. Ambos foram alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Um dos investigados foi o ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza. O outro foi Bellini Santana. Ambos foram proibidos de exercer suas funções na instituição por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. No despacho, o magistrado afirmou que eles agiam como se fossem empregados de Vorcaro.
Neves de Souza ocupou o cargo de diretor de fiscalização do BC de 2019 a 2023, durante a gestão de Roberto Campos Neto como presidente da instituição. Foi responsável por autorizar a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, que posteriormente renomeou a instituição financeira como Banco Master.
No despacho, o ministro André Mendonça menciona mensagens em que Paulo Sérgio “chega a dar sugestões a Daniel Vorcaro sobre como deve se comportar em reunião” com o presidente do Banco Central.
O ministro destacou que, mesmo sendo um servidor do Bacen (Banco Central), Paulo Sérgio agia como um empregado/consultor de Vorcaro em questões exclusivamente privadas deste último. O magistrado citou também uma mensagem em que Vorcaro solicita a Paulo Sérgio que analise um documento a ser enviado pelo Banco Master ao Departamento do Bacen, onde o servidor ocupava a função de chefe adjunto, e Paulo Sérgio responde com sugestões de alterações no texto.
Segundo o magistrado, Daniel Bueno Vorcaro coordenou a formalização de contratos simulados de prestação de serviços através de uma empresa de consultoria, usados para justificar transferências financeiras realizadas em benefício dos servidores públicos ligados ao Banco Central, como forma de contraprestação pela “assessoria” privada que prestavam.
Os dois servidores do BC já haviam sido afastados de suas funções pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, de forma administrativa. Agora, o afastamento é judicial. Ambos foram obrigados a se afastar de seus cargos de chefias de departamentos de supervisão bancária em janeiro, após abertura de uma investigação interna pelo Banco Central para apurar os eventos ligados à liquidação do Banco Master.
Paulo Sérgio Neves de Souza está no Banco Central desde 1998, com formação em economia pela PUC-SP e MBA em risco pela Fipecafi. Já Bellini Santana era cogitado como possível substituto de Ailton de Aquino Santos na diretoria de fiscalização, posição que não se concretizou devido às suspeitas de envolvimento no caso Master.

