Operação da Polícia Federal investiga esquema ilegal de venda de informações de autoridades do STF

A Polícia Federal deflagrou hoje a Operação Dataleaks, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa suspeita de obter, modificar e vender dados pessoais e sensíveis provenientes de bancos de dados governamentais e privados. Entre as informações acessadas de forma ilegal estariam dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início após a identificação de uma base de dados paralela, considerada não oficial, que estava sendo alimentada por acessos indevidos a sistemas e bancos de dados governamentais. Essa base de dados reunia informações pessoais de autoridades, incluindo membros da Suprema Corte.

No total, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas. As autoridades judiciais autorizaram essas ações no âmbito do inquérito que investiga as atividades desse grupo criminoso.

De acordo com a PF, os investigados poderão ser acusados de organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro. A investigação busca esclarecer como ocorreram os acessos indevidos, se houve envolvimento de agentes públicos e qual foi a extensão do compartilhamento ou venda das informações obtidas ilegalmente.

No mês passado, a Polícia Federal já havia conduzido outra operação para investigar o suposto vazamento de dados fiscais de ministros do STF e seus familiares, originados de sistemas da Receita Federal. Naquela ocasião, quatro servidores foram alvo de medidas judiciais.

Essa nova investigação foi iniciada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que em janeiro autorizou a abertura de um procedimento para investigar um possível vazamento de dados sigilosos de membros da Corte e seus familiares, tanto na Receita Federal quanto no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A abertura desse inquérito ocorreu em meio à repercussão de reportagens que mencionam um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci. Segundo as publicações divulgadas em dezembro, esse contrato teria um valor estimado em R$ 131,3 milhões ao longo de três anos.

A Polícia Federal informou que as investigações estão em andamento e que os materiais apreendidos serão analisados para identificar outros possíveis envolvidos e determinar a extensão do suposto esquema de comercialização de dados.

By Portal de Canoas