No Brasil, pela primeira vez na história, foi registrada uma produção de carne bovina superior à dos Estados Unidos, tornando o país o maior produtor mundial. Esses dados foram divulgados pelo Usda, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Há quatro anos, a produção brasileira ficava 31% abaixo da norte-americana. O mercado de carne bovina tem apresentado variações inesperadas, com previsões de queda na produção brasileira no início deste ano que não se confirmaram. De acordo com o Usda, a produção de 2025 alcançou 12,35 milhões de toneladas, um aumento de 4% em relação a 2024.
O aumento significativo no peso médio dos bois abatidos, atingindo 303 kg em média em setembro, contribuiu para que o Brasil superasse a marca mensal de 1 milhão de toneladas de carne bovina produzida. Maurício Nogueira, da consultoria Athenagro, atribui esse aumento de peso à maior utilização de tecnologia na alimentação do gado, resultando no recorde de rendimento de carcaça em setembro.
Enquanto isso, a produção de carne bovina nos Estados Unidos está estimada em 11,81 milhões de toneladas para este ano, uma redução de 4% em relação a 2024. Problemas como o tamanho reduzido do rebanho desde os anos 1970, fenômenos climáticos e aumento dos custos de produção têm impactado a pecuária bovina norte-americana.
Para o próximo ano, as projeções do Usda indicam uma redução na produção tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, com ambos os países produzindo 11,7 milhões de toneladas. Outros grandes produtores, como Austrália, China e União Europeia, também devem reduzir sua produção, enquanto México e Índia aumentarão a oferta de carne bovina.
Nogueira não acredita na redução de 5% prevista pelo Usda para a produção brasileira em 2026 e sugere que a produção pode se manter estável ou até mesmo crescer. Com um cenário de preços em ascensão há 18 meses, o encorajamento dos pecuaristas para a produção é evidente.
A perspectiva de manutenção ou aumento na produção nacional pode garantir ao Brasil uma posição mais vantajosa no mercado exportador. Segundo o Usda, as exportações mundiais de carne bovina devem sofrer a primeira queda em volume em cinco anos, indicando uma redução de 1% em 2026.
Considerando a produção global, o Usda prevê um recorde de 61,9 milhões de toneladas de carne bovina para este ano, com exportações de 13,7 milhões. Já para 2026, a projeção é de uma produção reduzida para 61 milhões de toneladas e exportações de 13,5 milhões.
Devido a possíveis aumentos de preços e a substituição da carne bovina por proteínas mais baratas, a demanda mundial por carne bovina deve cair 1% no próximo ano, enquanto o consumo de carne de frango tende a aumentar. O Brasil se destaca no cenário global de produção de carnes, com abertura de novos mercados e competitividade destacada.
Segundo Nogueira, a capacidade de produção de bezerros no Brasil é um dos pontos fortes da pecuária nacional, sendo mais barata e escalável em comparação a outros países. O país também se beneficia por estar livre de doenças como gripe aviária, peste suína africana e língua azul. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

