Possível candidatura de Bolsonaro causa desconfiança com visita de Michelle ao Ceará

Com receio de perder espaço e influência na política nos próximos anos, o bolsonarismo está envolvido em uma luta interna que inclui até mesmo membros da família do ex-presidente, resultando em traições nas composições dos palanques estaduais.

Com Jair Bolsonaro cumprindo pena em regime fechado, essa situação tende a se agravar. Entre os aliados mais leais ao ex-presidente, há o temor de que o bolsonarismo desapareça até as eleições de 2030 caso o grupo aceite apoiar candidaturas de políticos moderados ou que não tenham origem no movimento desde 2018.

A discordância em relação ao apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) para governador no Ceará só evidencia um fato que já era conhecido: os filhos e a esposa vão disputar pelo controle e poder do sobrenome.

Michelle publicamente rejeitou qualquer possibilidade de aliança com Ciro Gomes, conhecido por suas críticas ao ex-presidente. Ela defendeu a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo), considerado um bolsonarista autêntico. Flávio, Eduardo e Carlos expressaram sua insatisfação com a postura da madrasta.

Girão saiu em defesa de Michelle, elogiando sua postura firme em defesa de seus princípios e valores. No entanto, as tensões entre Michelle e os filhos são conhecidas nos bastidores. A exposição desta divisão apenas uma semana após a prisão de Bolsonaro foi surpreendente.

O posicionamento de Michelle no Ceará suscitou ainda mais especulações dentro da família Bolsonaro, levantando a possibilidade de ela se candidatar à presidência. Por enquanto, sua candidatura ao Senado está bem encaminhada, mas cresce o apoio ao seu nome para a disputa presidencial entre os membros do PL Mulher.

O estado de São Paulo também pode ser palco de conflitos, já que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso concorra à Presidência, teria em Ricardo Nunes (MDB) um forte candidato à sua sucessão. No entanto, os Bolsonaros não o veem com bons olhos, principalmente por ele não apoiar integralmente o ex-presidente.

As disputas em Santa Catarina e no Distrito Federal também estão longe de serem resolvidas e giram em torno da lealdade ao sobrenome ou ao líder do grupo.

Mesmo com Bolsonaro na prisão, o futuro candidato da direita à Presidência ainda depende de sua aprovação para as eleições de 2026. É o que aponta uma pesquisa Real Time Big Data realizada logo após a prisão, que revela as tendências ideológicas predominantes do eleitorado em 8 estados.

Até mesmo no Nordeste, onde o lulismo é forte, a segunda opção majoritária ainda é um candidato ligado a Bolsonaro e não à direita tradicional. Segundo Wilson Pedroso, sócio do instituto, “Bolsonaro ainda representa um eleitorado conservador e anti-Lula”.

By Portal de Canoas