O Rio Grande do Sul, maior produtor de trigo do Brasil, enfrenta desafios na safra de inverno de 2025. De acordo com a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro/RS), metade da área já foi colhida, mas os agricultores estão insatisfeitos devido ao baixo preço do grão e ao aumento dos custos de produção. Muitos optaram por reduzir o uso de tecnologia, resultando em menor produtividade e qualidade inferior.
Produtividade abaixo das expectativas
O presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, revelou que a média de colheita ficou muito aquém do esperado. A previsão era de 70 a 80 sacas por hectare, porém muitos produtores obtiveram apenas cerca de 50 sacas, resultando em prejuízo. Pires justificou que os agricultores mantiveram uma tecnologia reduzida para não perder espaço no inverno.
Impactos econômicos
A safra gaúcha deve atingir 3,7 milhões de toneladas, porém com qualidade comprometida e menos palha para cobertura do solo. Isso preocupa, já que o trigo é vital para a economia do Estado, gerando renda e auxiliando na conservação do solo e na rotação de culturas.
Risco de redução de área
Com a perspectiva de menor lucratividade, é provável que a área plantada seja reduzida em 2026, o que seria prejudicial para a agricultura gaúcha. Pires lamentou a decepção dos produtores com os baixos preços.
Canola em ascensão
Enquanto o trigo enfrenta dificuldades, a canola surge como uma alternativa promissora. Mesmo com desafios como a importação de sementes, há um interesse crescente dos agricultores em cultivá-la. A rotação com canola ajuda no controle de ervas daninhas e doenças, além de melhorar a produtividade.
Falta de apoio governamental
Um ponto crítico é a ausência de seguro agrícola e Proagro para a maioria das lavouras, aumentando o risco para os produtores. A falta de políticas públicas que favoreçam a rentabilidade preocupa Pires, já que os preços baixos e margens estreitas tornam a situação desafiadora.
A safra de trigo de 2025 no Rio Grande do Sul apresenta um dilema para os agricultores, que precisam decidir entre manter uma cultura pouco rentável no inverno ou buscar alternativas como a canola. O futuro do trigo gaúcho depende da recuperação dos preços, de políticas públicas de apoio e do investimento em tecnologia para elevar a produtividade e a qualidade. (por Gisele Flores)

