Estratégia de investimento para combater os efeitos das estiagens e posicionar o Rio Grande do Sul como referência na pauta climática nacional.
Durante a 26ª Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, o governador Eduardo Leite divulgou o Plano Irrigação Resiliente, um projeto que será apresentado ao governo federal em reuniões com ministros em Brasília. O principal objetivo é expandir a área irrigada no estado gaúcho, minimizar os efeitos das estiagens frequentes e assegurar uma maior previsibilidade para a produção agrícola e a economia local.
Acompanhado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Arthur Lemos, Leite explicou as medidas que envolvem a construção de infraestrutura hídrica e energética, assim como incentivos para a adoção de tecnologias de irrigação no campo. O governador ressaltou que investir em irrigação é essencial para proteger os produtores, reduzir as perdas durante períodos de seca e garantir mais estabilidade econômica para o estado.
Análise e desafios
O plano parte do reconhecimento de que os fenômenos climáticos extremos representam um desafio estrutural para o crescimento do Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, secas severas resultaram em prejuízos significativos, impactando diretamente a arrecadação pública e a situação econômica do estado. Dados oficiais mostram que o Rio Grande do Sul foi a região mais afetada economicamente por desastres naturais nas últimas décadas.
No ano de 2022, por exemplo, a seca reduziu em até 40% a produção de milho e soja, acarretando em perdas estimadas em R$ 36 bilhões. O fracasso das safras afetou não apenas os agricultores, mas também teve repercussões na arrecadação estadual e no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, evidenciando a fragilidade estrutural da economia diante das mudanças climáticas.
Projeções e investimentos previstos
O plano contempla múltiplos cenários de expansão da área irrigada. No cenário mais ambicioso, seriam desenvolvidos até 2,68 milhões de novos hectares irrigados, com investimentos públicos que poderiam chegar a R$ 60 bilhões.
>
Esses recursos seriam especialmente direcionados para:
- Infraestrutura hídrica: incorporação de reservatórios, barragens e sistemas de distribuição.
- Energia: aumento da capacidade elétrica para suportar sistemas de irrigação modernos.
- Tecnologia: promoção da adoção de sistemas inteligentes de irrigação, capazes de diminuir desperdícios e aumentar a eficiência.
Além disso, a proposta inclui mecanismos de financiamento acessíveis para pequenos e médios produtores, que são os mais suscetíveis às perdas durante as safras. Nesse contexto, a irrigação deixa de ser apenas uma técnica agrícola e passa a ser considerada uma política de resistência climática e econômica.
O anúncio na Expodireto é relevante pois o Rio Grande do Sul é responsável por aproximadamente 15% da produção nacional de grãos, porém enfrenta secas frequentes que comprometem a competitividade do setor. A estratégia de irrigação resiliente visa estabilizar a produção e reduzir a instabilidade econômica, fortalecendo as cadeias de produção e garantindo a segurança alimentar.
Ao iniciar o diálogo com o setor produtivo antes de apresentar a proposta em Brasília, Leite demonstra que o plano não é apenas uma iniciativa do governo, mas uma agenda construída em conjunto com aqueles que sofrem os impactos das secas no campo. A ação aborda três aspectos fundamentais:
- Economia: garantia de previsibilidade e solidez fiscal, reduzindo os prejuízos bilionários.
- Produtividade: fortalecimento das cadeias agrícolas e manutenção da competitividade.
- Resistência climática: adaptação às alterações ambientais e proteção dos produtores.
Em Brasília, Leite buscará apoio do governo federal para transformar o plano em uma política nacional. A expectativa é que a irrigação resiliente se torne um marco na estratégia de combate às secas, colocando o Rio Grande do Sul em destaque na agenda climática e agrícola do país.

