Rio Grande do Sul dá início à produção de etanol de trigo em nova usina

Usina de etanol de trigo de R$ 100 milhões é inaugurada em Santiago, RS

A primeira usina de etanol de trigo do Brasil entrou em operação em Santiago, no Vale do Jaguari, marcando um novo momento para o agronegócio gaúcho e a matriz energética nacional. Com um investimento de R$ 100 milhões, sendo parte financiada pelo BRDE, o projeto da CB Bioenergia começou a produção com capacidade para 43 mil litros diários de etanol hidratado.

Essa iniciativa pioneira representa uma diversificação do etanol, que até então estava ligado principalmente à cana-de-açúcar no Brasil. A utilização de trigo, e potencialmente de cevada, triticale e milho, abre espaço para uma nova lógica agrícola baseada em culturas de inverno. A usina de Santiago mostra que a energia limpa pode ser produzida a partir de grãos que eram subutilizados.

Além do etanol hidratado, a planta também produzirá álcool neutro e subprodutos para ração animal, formando uma cadeia de aproveitamento integral. Estima-se uma produção anual de 12 milhões de litros, com consumo diário de cerca de 100 toneladas de trigo.

Impacto econômico e estratégico

O projeto tem perspectiva de gerar aproximadamente 200 empregos diretos e 500 indiretos, contribuindo para fortalecer a economia regional e impulsionar o Vale do Jaguari, uma região tradicional de produção de grãos. O BRDE considera esse investimento estratégico ao apoiar inovações industriais e ressaltar a importância das culturas de inverno no desenvolvimento.

Segundo Ranolfo Vieira Júnior, diretor de Operações do BRDE, “o futuro do campo está nas culturas de inverno”. Já Leonardo Busatto, diretor de Planejamento, enfatiza que a usina em Santiago representa um avanço rumo à produção sustentável e à transição energética.

Contexto de mercado

Essa iniciativa está alinhada com a busca global pela descarbonização. Ao apresentar uma alternativa ao etanol de cana com base em grãos de clima temperado, o Brasil fortalece sua matriz energética, reduz a dependência de safras tropicais e melhora a resiliência diante de mudanças climáticas e flutuações de mercado.

Além disso, o etanol de trigo pode reposicionar o Rio Grande do Sul como líder em biocombustíveis, atraindo investimentos e consolidando o estado como referência em inovação agrícola. Essa usina abre oportunidades para novas formas de produção e integração entre agricultores, indústria e setor financeiro, ampliando a cadeia de valor.

A usina de Santiago representa mais do que um empreendimento industrial: é um marco que combina inovação tecnológica, financiamento estratégico e transformação agrícola. Ao converter trigo em combustível, o Rio Grande do Sul se destaca como líder em uma agenda que une sustentabilidade, tecnologia e crescimento regional. (Por Gisele Flores)

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