Tesla inicia recall de 2,7 milhões de veículos na China devido a questões de segurança

A Tesla anunciou um recall envolvendo 2,7 milhões de veículos dos modelos Model 3 e Model Y, fabricados na China, em decorrência de falhas nos sistemas de monitoramento que são utilizados durante a ativação dos recursos de assistência à direção. A informação foi divulgada pela Administração Estatal de Regulação do Mercado (SAMR).

Além disso, a SAMR informou que a montadora realizará uma nova campanha para veículos que possuem dispositivos nas portas que podem tornar difícil a saída de uma pessoa em situações de emergência.

A medida abrange um total de 2,9 milhões de carros elétricos dos modelos mencionados, todos produzidos no território chinês.

Segundo a agência reguladora, os veículos afetados apresentam maçanetas internas de emergência que possuem cor semelhante ao revestimento das portas, o que pode dificultar sua identificação em momentos críticos.

Outras oito fabricantes chinesas também estão realizando recalls devido a problemas semelhantes relacionados à segurança, conforme anunciado pela SAMR.

Entre essas montadoras estão empresas como Xiaomi, XPeng, Geely, Chery e Leapmotor, que também estão lidando com questões nas maçanetas internas de seus veículos elétricos.

Acusações de Discriminação

Em outro âmbito, a Tesla está enfrentando um processo judicial significativo por alegações de discriminação racial contra trabalhadores negros. Este caso surge após anos de litígios. Uma agência californiana entrou com uma ação judicial contra a empresa, acusando-a de permitir um ambiente discriminatório em sua principal fábrica em Fremont.

Este caso está entre diversos processos similares que a fabricante enfrenta atualmente.

A disputa judicial ocorrerá em Oakland sob a supervisão do juiz Peter Borkon no Tribunal Superior da Califórnia e deve se estender até o dia 30 de outubro.

No processo instaurado em 2022, o Departamento de Direitos Civis da Califórnia alegou que funcionários negros na fábrica da Tesla foram frequentemente alvos de assédio por parte de colegas, incluindo ofensas raciais e pichações. A agência também afirma que a empresa não tomou as medidas necessárias para coibir essas práticas.

Adicionalmente, há acusações sobre diferenciação salarial injusta e limitações nas oportunidades de promoção para trabalhadores negros dentro da companhia.

A Tesla e seus representantes legais não se pronunciaram sobre os pedidos de comentário feitos pela imprensa. Contudo, a empresa refuta as alegações e afirma adotar uma postura rigorosa contra qualquer forma de discriminação. Segundo declarações da companhia, colaboradores envolvidos em condutas inadequadas foram dispensados.

Kevin Kish, diretor do Departamento de Direitos Civis da Califórnia, declarou que a agência busca responsabilizar a Tesla pelas alegações apresentadas.

Dada a gravidade das alegações e o número elevado de trabalhadores implicados, este caso se destaca como um dos mais relevantes processos por discriminação no trabalho movidos contra grandes corporações americanas nos últimos anos.

O juiz Borkon decidiu que o julgamento ocorrerá sem júri; assim sendo, será ele quem determinará se a Tesla infringiu as leis estaduais relacionadas aos direitos civis.

A lei da Califórnia difere da legislação federal ao não estabelecer tetos para indenizações concedidas aos empregados afetados por discriminação. Assim sendo, caso perca o processo judicial, a Tesla poderá enfrentar condenações financeiras significativas.

Nos últimos dez anos, diversas acusações têm sido direcionadas à Tesla sobre o suposto ambiente hostil enfrentado por funcionários negros em sua unidade em Fremont e outras fábricas.

A empresa também está sob investigação da Comissão de Igualdade de Oportunidades no Emprego (EEOC), além das várias ações judiciais individuais apresentadas por ex-colaboradores com alegações similares.

As acusações formuladas pelo Departamento de Direitos Civis abrangem aspectos mais amplos e sugerem que as operações na fábrica funcionavam com segregação racial, concentrando trabalhadores negros em posições menos desejáveis e com salários inferiores.

No ano passado, em um processo distinto, Borkon decidiu que mais de 6 mil trabalhadores negros não poderiam prosseguir com uma ação coletiva contra a Tesla. Essa decisão representou uma reversão favorável à montadora diante das reivindicações anteriores.

A Tesla chegou a firmar acordos em alguns casos individuais; um exemplo é o processo movido por um ex-operador de elevador na fábrica da companhia em Fremont. Inicialmente, ele recebeu uma indenização estipulada em US$ 137 milhões por um júri; entretanto, esse valor foi posteriormente reduzido por decisão judicial. Informações adicionais foram fornecidas pelas agências AFP e Reuters.

By Portal de Canoas