Produção de erva-mate no Rio Grande do Sul projeta 310 mil toneladas para a safra de 2026

Na safra de 2026, o Rio Grande do Sul projeta uma colheita de aproximadamente 310 mil toneladas de folha verde, cultivada em quase 30 mil hectares dedicados à erva-mate. A produção dessa planta (Ilex paraguariensis) se estende por 173 municípios e abrange mais de 7 mil propriedades rurais. Para celebrar esse potencial produtivo do Estado, na última quinta-feira (28), Machadinho, localizado na Região Norte, sediou a Festa da Colheita da Erva-Mate, evento que marca o início da nova safra.

O evento contou com a presença do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, que esteve acompanhado por autoridades locais e estaduais. Em seu discurso, ele ressaltou que a cadeia produtiva da erva-mate está atravessando um momento de transformação, especialmente com a recente conquista da primeira indicação geográfica para a erva-mate de Machadinho. Isso abre novas possibilidades para expandir e agregar valor ao produto típico do Rio Grande do Sul. “Enfrentamos um grande desafio que exige uma ação coletiva de todo o setor: ampliar os mercados e diversificar os produtos derivados da erva-mate. Estamos em uma nova fase e temos potencial para crescer em mercados no Oriente Médio, Europa e Ásia. Essa deve ser a prioridade do setor produtivo”, declarou Madalena.

A produção de erva-mate no Estado está concentrada em cinco regiões conhecidas como polos ervateiros. O Rio Grande do Sul se destaca como o maior beneficiador dessa planta no Brasil, com pelo menos 163 indústrias operando em sua área.

Novos mercados

Alberto Tomelero, presidente do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), ressaltou que cultivar erva-mate é uma tarefa complexa que começa com pesquisas voltadas para aprimorar a genética das plantas. “Já avançamos consideravelmente com tecnologia e inovação, mas ainda há muito trabalho pela frente para o setor ervateiro. É fundamental conectar as pessoas envolvidas na cadeia produtiva ao consumidor final e buscar melhorias em qualidade e produtividade, alinhando-nos à pesquisa e explorando novos mercados internacionais”, afirmou Tomelero.

Claudinei Baldissera, presidente da Associação Rio-Grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), destacou a relevância econômica e cultural dos polos ervateiros para o Rio Grande do Sul. “A Emater se compromete a apoiar o setor na superação dos desafios enfrentados. Estamos desenvolvendo políticas públicas voltadas para sistemas de produção que também beneficiarão a erva-mate. Precisamos aumentar o consumo e descobrir novas abordagens sempre focando na qualidade e produtividade”, enfatizou Baldissera.

A próxima Festa da Colheita está programada para ocorrer em 2027 no município de Arvorezinha.

Indicação Geográfica

A região de Machadinho recentemente obteve a Indicação Geográfica (IG) para sua erva-mate, destacando a qualidade, identidade e valorização da produção local.

Esse reconhecimento foi oficializado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) em novembro de 2025, evidenciando a tradição e as características singulares da erva-mate daquela região.

A IG cobre dez municípios: Barracão, Cacique Doble, Machadinho, Maximiliano de Almeida, Paim Filho, Sananduva, Santo Expedito do Sul, São João da Urtiga, São José do Ouro e Tupanci do Sul.

A certificação não só valoriza o produto como também fortalece a identidade regional; além disso, abre novas oportunidades para ciclos de desenvolvimento econômico que beneficiarão tanto os produtores quanto os municípios envolvidos. 

By Portal de Canoas