Soy Summit transforma a soja brasileira em uma potência global

A primeira edição do Fenasoja Soy Summit — Carbono Zero, que ocorreu durante a Fenasoja 2026, não apenas introduziu um novo evento técnico, mas também estabeleceu uma nova abordagem no agronegócio brasileiro. O encontro, ao conectar produção, ciência, regulamentação, mercado e clima em um único discurso, demonstrou que a soja — o principal produto do setor agropecuário nacional — entrou em uma nova fase em que apenas a produtividade não é mais suficiente. A competitividade agora se baseia na organização, previsibilidade e adaptabilidade.

Este evento não teve como objetivo apenas descrever o agronegócio; foi um movimento voltado para reestruturar sua lógica interna.

A abertura foi conduzida por Douglas Marques e contou com a presença de líderes institucionais e políticos que compartilharam uma mensagem unificada. Marcos Eduardo Servat, presidente da Fenasoja 2026, expressou o espírito do evento ao afirmar: “Quando queremos que algo mude, precisamos ocupar esses espaços”. Essa afirmação marca o início de uma transição: o setor passa a ter protagonismo na definição de sua agenda. Jerônimo Georgen, embaixador do Summit, complementou essa ideia ao afirmar: “Era necessário um momento que ligasse a história de Santa Rosa às discussões contemporâneas sobre o agro”. Assim, a criação deste evento visa preencher uma lacuna estratégica — a ausência de um espaço contínuo para formulação dentro do calendário agrícola.

No primeiro painel intitulado “Oportunidades da soja: ciência, biotecnologia e sustentabilidade”, destacou-se um dos principais desafios da indústria: a desconexão entre a eficiência produtiva e o reconhecimento no cenário internacional. Tiago Maique comentou: “A tecnologia já presente no Brasil é frequentemente subestimada. O desafio agora é mensurar e comunicar isso efetivamente ao mercado global”. Sua observação revela uma questão que vai além das lavouras — trata-se de narrativa e posicionamento no contexto global. Júnior Rosa de Almeida falou sobre a integração entre agroindústria e energia, enfatizando a mudança necessária: “Essa parceria entre empresas nos permite aumentar eficiência, escala e competitividade”. O painel deixou evidente que inovação não é mais apenas um diferencial; agora é essencial para manter-se competitivo.

O segundo painel, “Ambiente de negócios: crédito rural e segurança jurídica”, trouxe à tona os fundamentos estruturais da discussão. Renato Buranello apresentou uma análise clara sobre os riscos enfrentados pelo sistema: “Decisões judiciais que ignoram o ciclo produtivo prejudicam o financiamento das safras futuras”. Ao abordar o mercado de carbono, ele ampliou essa discussão: “Os produtores já possuem ativos ambientais — o desafio é transformar isso em receita”. Daniel Carnio Costa acrescentou uma perspectiva institucional relevante: “As leis devem organizar sem sufocar as atividades econômicas”. Neste ponto, o evento alcançou um nível impressionante ao tratar o agronegócio como um sistema jurídico-financeiro coeso.

O terceiro painel, intitulado “Mercado e economia: soja como plataforma energética”, reposicionou a soja como um ativo crucial na transição energética global. Erasmo Battistella resumiu essa transformação ao declarar: “A soja é central na equação da energia limpa”. Essa afirmação desloca a discussão do foco meramente nas commodities para questões geopolíticas relacionadas à energia. Tiago Carpenedo trouxe à tona pontos críticos ao destacar as barreiras estruturais enfrentadas: “Embora o Brasil tenha grande potencial, ainda perdemos competitividade em relação a países onde investir é mais simples”. Essa análise revela um paradoxo persistente — excelência na produção coexistindo com limitações institucionais.

O quarto painel, “Clima e gestão”, abordou questões urgentes e atuais. Após enfrentar eventos climáticos extremos no Sul do Brasil, o clima passou de ser apenas uma variável externa para se tornar parte essencial dos negócios agrícolas. Paulo Hermann foi direto ao afirmar: “Não podemos nos lamentar — precisamos agir para encontrar soluções”. Luís Carlos Molion ressaltou a importância da adaptação técnica ao afirmar: “O solo funciona como nossa caixa d’água”. Luciano Schwerz avaliou economicamente as perdas recentes e apontou caminhos futuros: “Não há soluções imediatas; é necessário investir em conhecimento e gestão”. Este painel consolidou a compreensão de que resiliência produtiva exige planejamento meticuloso e manejo adequado.

A verdadeira inovação do Soy Summit não esteve na quantidade de informações apresentadas, mas na maneira como organizou as reflexões do setor. Ao interligar áreas tradicionalmente fragmentadas, o evento criou uma visão sistêmica do agronegócio — algo ainda pouco explorado na cobertura convencional.

Ao final do encontro, Jerônimo Georgen sintetizou com precisão seu impacto ao dizer: “Foi um dia universitário”. Essa definição captura perfeitamente o papel que o evento passa a desempenhar: um espaço permanente dedicado à construção de conhecimento aplicado.

A conclusão mais significativa vai além do conteúdo discutido; ela representa um movimento inicial. Santa Rosa deixa de ser vista apenas como berço histórico da soja brasileira para se firmar como um território onde seu futuro será ativamente moldado.

By Portal de Canoas