Durante a Fenasoja, o Espaço Institucional da Emater/RS-Ascar evolui de uma simples vitrine para um verdadeiro mapa interativo do território. O projeto “Conhecendo a Região” transforma a forma de apresentação do campo, promovendo uma conexão entre municípios, histórias e realidades que, embora vizinhas, frequentemente permanecem desconhecidas.
A iniciativa foi criada em resposta a uma observação comum na prática da extensão rural: apesar de pertencerem à mesma regional, os 45 municípios atendidos apresentam uma interconexão muito limitada. O objetivo é quebrar essa barreira invisível, estabelecendo um espaço para que experiências e identidades sejam compartilhadas.
A Regional de Santa Rosa da Emater é uma das mais extensas no Rio Grande do Sul, abrangendo desde a fronteira com a Argentina até as Missões. Essa vasta área reflete uma rica diversidade produtiva que inclui agricultura familiar, produção de leite, cultivo de grãos, agroindústrias e diversas formas de organização comunitária.
Lisete Primaz, assistente técnica regional responsável pelo projeto, explica que ele foi idealizado como uma vitrine coletiva do território. Segundo ela, a ideia surgiu a partir da percepção interna sobre a magnitude do trabalho realizado na região.
“A Emater está estruturada em 12 regionais no Estado, sendo que nossa região conta com 45 municípios. Observamos que muitos deles não compreendiam plenamente o conjunto da região nem o impacto do nosso trabalho. Com isso em mente, criamos o ‘Conhecendo a Região’ para promover essa integração”, detalha.
Um território redescoberto
Durante a Fenasoja, aproximadamente 35 municípios participam em um sistema rotativo, apresentando suas características culturais, institucionais e produtivas. Cada um desses locais compartilha não apenas dados econômicos, mas também modos de vida e tradições que juntos formam um mosaico complexo e muitas vezes negligenciado até pelos próprios habitantes da região.
Lisete ressalta que os efeitos do projeto vão além da simples exposição; ele altera percepções. “Cada município apresenta sua identidade única, sua produção e suas formas de organização. Isso estabelece uma rede de conhecimentos entre eles e com o público visitante da feira”, afirma.
Um dos elementos mais interativos desse espaço é a presença da “Tetê”, vaca emblemática da Expoterneira. Este recurso educativo visa conectar crianças e visitantes à cadeia produtiva do leite, simbolizando o esforço da extensão rural em tornar conhecimento técnico acessível e experiencial.
Uma nova perspectiva sobre o campo
A proposta do espaço da Emater não se limita apenas a expor o campo; ela reformula a forma como ele é percebido. Ao invés de ver municípios isolados, surge a ideia de uma rede interligada. A produção fragmentada dá lugar ao conceito de um território coeso.
Essa mudança de olhar se torna ainda mais clara quando os visitantes exploram o espaço e notam que o rural na região não é homogêneo; ao contrário, é composto por diferentes escalas produtivas, culturais e sociais.
A área de Santa Rosa apresenta uma rica diversidade geográfica e cultural, com sistemas produtivos que variam desde a agricultura familiar até a agroindustrialização. No entanto, parte dessa riqueza continua pouco conhecida até mesmo pelos residentes dos próprios municípios. “Há uma enorme variedade de culturas, paisagens e sistemas produtivos. Muitas vezes os próprios municípios ignoram essa amplitude regional”, aponta Lisete.
Pertencimento e união
No decorrer da feira, o Espaço Institucional da Emater se estabelece como uma das principais referências em agricultura familiar e organização comunitária na Fenasoja. Seu papel vai além da mera divulgação institucional: atua como um elo entre conhecimento técnico, políticas públicas e identidade territorial.
O projeto “Conhecendo a Região” encapsula essa proposta ao transformar o espaço em um ambiente contínuo de integração. Nesse local, o agro transcende sua definição como meramente produção para ser visto como uma rede de relações sociais e construção coletiva para o desenvolvimento.
No final das contas, não se trata apenas de revelar uma região mais conhecida — mas sim de fomentar um processo onde essa mesma região começa a se reconhecer verdadeiramente.

