Cursos de ensino superior ligados ao agronegócio, meio ambiente e veterinária tiveram um crescimento exponencial de mais de 1000% em uma década. Esse aumento foi mais significativo nos cursos a distância e em instituições privadas, mas também foi observado nos cursos presenciais. Essas informações foram divulgadas pelo Instituto Semesp, por meio do Mapa do Ensino Superior no Brasil.
Um exemplo desse crescimento pode ser visto no curso de Agronomia a distância, que não existia em 2013 e alcançou 45 mil alunos em 2023. Da mesma forma, os cursos de Gestão de Agronegócio, também na modalidade EAD, cresceram 26 vezes em uma década, saindo de cerca de 200 alunos para 7,3 mil.
A área de Medicina Veterinária, que atualmente conta com 3,5 mil estudantes, teve um aumento expressivo em relação aos 314 alunos registrados em 2017, quando os cursos na modalidade EAD foram autorizados. O crescimento nas graduações presenciais também foi significativo, especialmente devido à Medicina Veterinária, que cresceu 148%, sendo a maioria desses cursos em instituições privadas.
Além disso, os cursos de Gestão Ambiental, Engenharia Ambiental e Zootecnia tiveram um aumento significativo no número de estudantes na modalidade EAD. Essas graduações foram agrupadas no relatório sob o nome de Agrossistema, sendo a primeira vez que o Semesp destaca esse grupo de cursos.
O diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, destaca que o setor do agronegócio é uma área em crescimento no Brasil, demandando profissionais cada vez mais qualificados, apesar de muitos pensarem que não é necessário ensino superior para atuar nesse mercado.
Apesar do crescimento observado, Capelato ressalta que ainda há espaço para um aumento mais expressivo, uma vez que os cursos relacionados ao setor representam apenas 4,5% do total de alunos no país.
Enquanto o ensino a distância em outras áreas teve um aumento de 700% nos últimos anos, os cursos do Agrossistema cresceram 1077%. Capelato sugere que esse crescimento no EAD pode ser atribuído ao fato de muitos estudantes interessados nessas áreas residirem fora dos centros urbanos.
Em contrapartida, as matrículas em cursos presenciais de outras áreas tiveram uma queda de 19%, enquanto as matrículas direcionadas ao setor do agro tiveram um aumento de 26%.
Recentemente, o Ministério da Educação (MEC) tem prometido uma maior regulação para o setor de EAD. A proibição de criação de novos cursos e vagas em educação a distância no ensino superior privado foi prorrogada por mais um mês. O governo federal ainda não entregou um novo marco regulatório para a área, havendo questionamentos sobre a qualidade dos cursos sem interação presencial.
O relatório destaca também que o perfil dos estudantes na área do Agrossistema é diferente da média do país, com mensalidades mais altas, maior proporção de homens, renda mais alta e menor representatividade de pretos e pardos. A maioria dos estudantes tem menos de 24 anos e não trabalha, em comparação com os demais cursos.
Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins se destacam pela maior proporção de alunos em cursos do Agrossistema em comparação com outras áreas.

