A Polícia Federal iniciou a terceira fase da Operação Coffee Break para aprofundar as investigações sobre possíveis fraudes em licitações de materiais didáticos em prefeituras do interior de São Paulo. O foco das diligências foi o ex-secretário de Educação de Sumaré (SP), José Aparecido Ribeiro Marin, que fugiu durante a segunda fase da operação em novembro.
A defesa de Marin afirmou confiar na atuação das autoridades e se colocou à disposição para os esclarecimentos necessários. Na fase anterior da Coffee Break, Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, enteado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi investigada por suspeita de receber propinas de André Gonçalves Mariano, apontado como o responsável pelo esquema.
Carla Ariane Trindade negou as acusações e sua defesa solicitou acesso aos autos para se manifestar. Nesta nova etapa da operação, foram realizados mandados de busca e apreensão na residência do ex-secretário de Educação de Sumaré, além do bloqueio de bens. Na chácara ligada a Marin, a Polícia Federal encontrou 11 armas e cerca de 400 munições.
A defesa de Marin alega que as armas estão regularizadas e que ele é registrado como CAC (Caçador, Atirador e Colecionador). Segundo os autos da operação, Marin era um contato frequente na agenda de André Mariano, apontado como operador central do esquema criminoso.
Durante o período em que foi secretário de Educação, Marin repassou dinheiro em espécie para Mariano em diversas ocasiões dentro da prefeitura de Sumaré. A investigação apontou que Mariano pagou a Marin uma quantia que garantiu contratos milionários e superfaturados com o município ao longo dos anos.
A PF afirmou que o valor repassado por Mariano a Marin foi usado para pagar parte de um imóvel avaliado em mais de R$ 2 milhões. A investigação sugere que o esquema de corrupção na Educação estava em andamento desde 2021, com ramificações em diversas prefeituras de São Paulo. O inquérito indica a formação de uma organização criminosa com a participação de agentes públicos, lobistas, doleiros e empresários.
Os investigadores também apontaram que Carla Ariane atuou em Brasília para viabilizar a liberação de recursos do FNDE em favor da empresa investigada. Kalil Bittar, ex-sócio de um dos filhos de Lula, teria desempenhado um papel semelhante. Carla foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho de Marisa Letícia, e Kalil é irmão de Fernando Bittar, proprietário do sítio de Atibaia investigado na Lava Jato.
Carla viajou a Brasília com André Mariano, que tinha reuniões no FNDE, órgão responsável pela liberação de recursos para contratos da Life. A defesa de Marin afirmou que espera acesso integral aos autos para se manifestar sobre a operação Coffee Break 2, ressaltando que as armas apreendidas estão regularizadas.

