O setor leiteiro da Região Sul do Brasil enfrenta um desafio significativo atualmente. Com a produção em alta e a competição de produtos importados no mercado interno, produtores e entidades representativas estão preocupados com a possível desestruturação da cadeia produtiva.
Em uma reunião da Aliança Láctea em Florianópolis (SC), líderes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul solicitaram apoio do governo federal. O secretário executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini, ressaltou que a produção gaúcha cresceu 12% em 2025, enquanto Santa Catarina e Paraná tiveram aumento médio de 7%. Palharini enfatizou a necessidade de uma política de apoio ao setor leiteiro para lidar com a superoferta de leite e garantir a sustentabilidade da produção.
Produção nacional segundo o Anuário Leite 2025
O Anuário Leite 2025 da Embrapa Gado de Leite indica que o Brasil produziu 25,37 bilhões de litros em 2024, apresentando um crescimento de 2,38% em relação ao ano anterior.
- Minas Gerais continua sendo o maior produtor, responsável por aproximadamente 27% da produção nacional.
- Paraná e Rio Grande do Sul seguem como importantes produtores, destacando a influência da Região Sul na indústria de laticínios.
- O estudo também observa uma tendência de concentração da produção em médias e grandes propriedades, enquanto no Sul ainda predominam as pequenas propriedades familiares, mais susceptíveis às flutuações do mercado.
Medidas pleiteadas pelo setor
- Compra pública: aquisição de 100 mil toneladas de leite em pó pelo governo para programas sociais e alimentação escolar.
- Controle de importações: revisão das licenças de importação de leite em pó e queijo, atualmente automáticas, para restringir a entrada de produtos importados.
- Política setorial: estabelecimento de uma agenda nacional de apoio ao setor leiteiro para garantir a competitividade frente às importações.
Pressão das importações
De janeiro a setembro de 2025, as importações de leite em pó ultrapassaram 133 mil toneladas, principalmente provenientes da Argentina e do Uruguai, conforme dados da CNA. A entidade solicitou ao governo que investigue a prática de dumping, alegando que os preços praticados pelos países vizinhos prejudicam o mercado nacional.
Impacto nos produtores
O excesso de oferta e a competição externa têm provocado uma redução nos preços pagos aos produtores, gerando insegurança e desmotivação. Muitos produtores de pequenas propriedades relatam dificuldades para cobrir os custos básicos de produção, como alimentação e energia. Há o risco de fechamento de propriedades familiares, especialmente no interior do RS, onde a produção de leite é a principal fonte de renda.
Significado da mobilização
A reunião em Florianópolis representa uma tentativa de estabelecer uma agenda unificada para pressionar o governo federal. O objetivo é equilibrar o mercado interno, proteger os produtores e garantir a competitividade do leite brasileiro. Sem ações rápidas, o setor alerta para o risco de desorganização da cadeia produtiva, com consequências sociais e econômicas em várias cidades. (Por Gisele Flores)

