O 2,4-D, utilizado para eliminar ervas daninhas na plantação de soja, tem o potencial de se dispersar pelo vento e atingir pomares. O governo está criando áreas de exclusão, mas os produtores de azeitonas estão pedindo uma ampliação da proteção.
O governo do Rio Grande do Sul anunciou que irá estabelecer zonas de exclusão para o uso do herbicida 2,4-D, que é aplicado nas plantações de soja e tem a capacidade de se deslocar por vários quilômetros pelo ar, afetando oliveiras, vinhas, macieiras e hortaliças. Essa medida visa proteger culturas sensíveis, porém os produtores alertam que ainda existem áreas sem proteção.
O anúncio foi feito pelo secretário da Agricultura, Edivilson Brum, durante uma reunião com dirigentes do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Estiveram presentes o presidente Flávio Obino Filho, o diretor jurídico Jorge Buchabqui e o diretor especial para assuntos de herbicidas hormonais, Marcelo Lobo.
O 2,4-D, mesmo em pequenas doses, pode causar a queda de flores, deformação de brotos e redução na produtividade. Estudos recentes mostraram que mais de 80% das amostras de videiras analisadas no Estado tinham resíduos de herbicidas hormonais, o que representa prejuízo direto para os agricultores e um risco para a qualidade de produtos como azeite e vinho.
O Ibraoliva considera o decreto um avanço, porém ressalta que não abrange todos os pomares. Marcelo Lobo avaliou positivamente a medida, mas destacou a necessidade de proteger também os produtores afetados fora da zona delimitada. A entidade está mapeando áreas de oliveiras em todo o país e pretende sugerir ao governo a ampliação das zonas de exclusão. Entre as propostas estão o registro obrigatório de culturas sensíveis, compensação por prejuízos causados pela deriva e estímulo à pesquisa de alternativas menos nocivas, com o apoio de centros de inovação.
O 2,4-D pode se deslocar até 30 km pelo vento, dependendo das condições climáticas. Registos mostram que as perdas na produção de uvas e azeitonas podem chegar a 70% em áreas afetadas pela deriva. O não cumprimento das regras pode resultar em multas diárias de R$ 10 mil, revertidas para fundos de reparação ambiental.
Na reunião, também foi debatido o Seminário Binacional do Bioma Pampa e o 6º Encontro Estadual de Olivicultura, que ocorrerão em dezembro, em Bagé. A possibilidade de transferir a Festa da Colheita da Oliva para abril, com um formato de feira de negócios, e as normas para certificação de mudas de oliveira provenientes de outros estados e países também foram discutidas.
O decreto estadual é um avanço significativo, mas ainda não resolve completamente o problema da deriva do 2,4-D. Para garantir o futuro da olivicultura no Rio Grande do Sul, será essencial ampliar as áreas de exclusão, intensificar a fiscalização e investir em alternativas mais seguras. Além de proteger os pomares, a medida busca garantir que o azeite gaúcho continue aprimorando sua qualidade e conquistando espaço no mercado nacional e internacional. (Por Gisele Flores)

