Pequenos agricultores gaúchos enfrentam crise financeira bilionária na temporada de verão

Um estudo realizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS) revelou que as dívidas acumuladas por agricultores e pecuaristas que participam do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) no estado já alcançam R$ 8,5 bilhões. Com várias safras consecutivas afetadas por questões climáticas, os pequenos produtores rurais estão enfrentando um cenário preocupante neste início de nova safra de verão.

Do total das dívidas, apenas R$ 3 bilhões, representando 35%, são passíveis de renegociação conforme as diretrizes da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, recentemente divulgada pelo governo federal. Em uma carta aberta, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) enfatiza que é crucial que a “renegociação rural saia do papel e chegue efetivamente ao produtor”.

Ainda que a MP esteja em vigor, a FPA ressalta que o alcance da renegociação não atende à urgência e à necessidade dos produtores, especialmente aqueles mais vulneráveis financeiramente. Segundo a FPA, existem obstáculos significativos para a liberação dos recursos devido à exigência de laudos agronômicos que comprovem perdas anteriores, revisões nas garantias exigidas dos produtores, cobranças iniciais para o pagamento da renegociação e outros custos adicionais.

Essas limitações podem “prejudicar o acesso ao crédito para a próxima safra”, segundo a Frente. Além disso, mencionam regras que são consideradas ‘incompatíveis’ com os fundos constitucionais. “Este é o momento em que o Congresso deve cumprir seu papel: acompanhar como está sendo executada a política pública, identificar os entraves e aprimorar as normas para que as soluções aprovadas tenham efeitos concretos no campo”, afirmou a FPA.

Safra

A previsão para a safra de verão 2026/27 no Rio Grande do Sul é de uma colheita de 35,639 milhões de toneladas, conforme estimativa revelada pela Emater/RS-Ascar durante a Expointer em Esteio. Se essa expectativa se concretizar, representará um aumento de 8,64% em relação às 32,804 milhões de toneladas obtidas na safra anterior. A área plantada deve ser de 8,248 milhões de hectares, apresentando uma leve diminuição de 0,37%.

Essa projeção abrange as culturas de soja, arroz, milho, milho silagem, feijão e sorgo. A Emater/RS-Ascar destaca que o crescimento total na produção é impulsionado principalmente pela recuperação da soja. A previsão é que a produção dessa oleaginosa atinja 21,151 milhões de toneladas em 2026/27, marcando um aumento de 15,32% em comparação com as 18,342 milhões de toneladas do ciclo anterior. A área destinada ao cultivo está estimada em 6,645 milhões de hectares, com uma ligeira queda de 0,92%. A produtividade também deve registrar um avanço significativo, passando de 2.735 quilos por hectare para 3.183 quilos por hectare, representando um crescimento de 16,37%.

By Portal de Canoas