Na véspera do encerramento da 49ª Expointer, o futuro da produção de leite foi apresentado a um público entusiasmado e emocionado. Durante o concurso Jovem Apresentador, organizado pela Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), crianças ocuparam a pista e demonstraram, com alegria e simplicidade, o aspecto familiar que permeia a atividade leiteira.
Esse evento se destacou não apenas como uma brincadeira, mas como um símbolo da continuidade da vida rural. Junto aos animais, os jovens participantes enfatizaram a importância da sucessão familiar para preservar as tradições da pecuária leiteira. O presidente da Gadolando, Marcos Tang, mencionou que o setor está vivenciando um “êxodo ao contrário”, com famílias saindo das cidades em direção ao campo. “A atividade leiteira é predominantemente uma tarefa familiar. Ela é uma das que mais mantém as famílias no meio rural, pois requer presença diária, com ordenha duas vezes ao dia, cuidados com as terneiras e dedicação constante”, comentou, visivelmente emocionado.
A participação feminina também foi um ponto destacado. Tang observou que, em diversas propriedades rurais, são as mulheres que lideram a gestão dos rebanhos. “Estudos mostram globalmente que quando mulheres estão à frente da ordenha, há uma redução nos problemas de mastite, além de melhor qualidade do leite e menor contagem de células somáticas. Elas tendem a perceber alterações na glândula mamária antes dos homens, o que afeta diretamente a qualidade do produto”, afirmou.
No encerramento do evento, os jovens foram agraciados com bonés, bolas e balões como forma de incentivo. A pista foi aberta para que os visitantes pudessem interagir com os animais, promovendo um momento de conexão entre consumidores e produtores. A cena das crianças guiando vacas leiteiras sob olhares orgulhosos de pais e familiares tocou o coração dos presentes e reafirmou a essência desse trabalho: o leite gaúcho é resultado de um esforço coletivo ao longo de gerações e da dedicação feminina à qualidade do rebanho.
Mais do que uma simples competição, o Jovem Apresentador se configurou como uma festa que celebra a vida no campo. É um lembrete claro de que a pecuária leiteira é tecida por histórias pessoais, laços familiares e sonhos renovados em cada nova geração. (por Gisele Flores – [email protected])
