O Canal do Panamá alcançou um novo marco em seu volume de tráfego de carga, impulsionado pelo fechamento do estreito de Ormuz no Oriente Médio e apesar das quedas no fluxo devido à seca decorrente do fenômeno El Niño. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21) pela administradora da via e por dados oficiais.
De acordo com a Autoridade do Canal do Panamá (ACP), foram transportadas 521 milhões de toneladas de carga através de quase 14 mil embarcações durante o último ano fiscal, que se estendeu de 1º de outubro de 2025 a 30 de setembro de 2026.
O recorde anterior, que havia sido estabelecido em 2022, era de 518 milhões de toneladas.
Além disso, a ACP reportou uma receita total de US$ 6,6 bilhões (equivalente a R$ 33,2 bilhões) proveniente das operações do canal, representando um crescimento de 16% em comparação ao ano fiscal anterior.
A administradora Ilya Espino de Marotta explicou em entrevista à AFP que o aumento no volume de carga foi consequência do “boom” nas operações marítimas após o fechamento do estreito, com os impactos do El Niño afetando apenas o final do período fiscal.
“O Canal do Panamá não apenas mantém os fluxos comerciais, mas também promove o comércio marítimo internacional ao fornecer aos seus parceiros uma rota segura e confiável”, destacou Ilya Espino de Marotta durante uma teleconferência na qual apresentou os dados recentes.
Antes da eclosão do conflito no Oriente Médio em fevereiro deste ano, aproximadamente 20% do petróleo e gás natural liquefeito eram transportados pelo estreito de Ormuz.
Desde então, o Canal do Panamá aumentou sua média diária de trânsitos, passando de 36 para 41 “por um período”, com navios buscando rotas alternativas para um transporte seguro dos combustíveis energéticos, conforme informado por Espino de Marotta.
Esse aumento ajudou a compensar a redução subsequente nos trânsitos que a rota panamenha teve que implementar devido à escassez hídrica.
A operação da via depende da água doce armazenada em dois lagos artificiais, cujos níveis foram impactados pela seca associada ao fenômeno El Niño.
Com uma extensão total de 80 quilômetros, essa rota conecta principalmente as regiões da China, Japão e Coreia do Sul à costa leste dos Estados Unidos.
As informações são da agência de notícias AFP e da ACP.
