Os preços do diesel da Petrobras continuam sendo impactados pela persistente elevação das cotações do petróleo no cenário internacional. Em 20 de setembro, o valor médio do diesel fornecido pela estatal às distribuidoras foi de R$ 3,26 por litro, representando uma redução de 52,19% em relação ao combustível importado do Golfo do México, que na véspera alcançou um preço médio de R$ 6,82 por litro, conforme dados da consultoria StoneX.
A diferença nominal entre o preço do diesel vendido pela Petrobras no Brasil e o custo do produto importado atingiu R$ 3,56 por litro na terça-feira. Este valor se aproxima do recorde anual de defasagem registrado em 16 de setembro, quando a diferença chegou a R$ 3,81 por litro.
Dentre os elementos que pressionam a Petrobras a considerar ajustes nos preços do diesel estão as altas margens globais de refino e os preços elevados do petróleo. No cenário global, há dificuldades de oferta tanto no Oriente Médio quanto na Europa. O petróleo tipo Brent atingiu sua maior cotação em cinco meses na terça-feira, registrando US$ 111,99 durante o dia antes de recuar para fechar a US$ 108,79, uma queda de 0,69% em relação ao dia anterior. Esse recuo ocorreu em meio ao otimismo relacionado a um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para resolver o conflito no Oriente Médio iniciado em 28 de fevereiro; ainda assim, os mercados adotaram uma postura cautelosa.
Até o final de outubro, o Brent acumulou uma alta de 5,08%. No acumulado do ano, o barril apresenta um aumento significativo de 78,7%.
Segundo análises do Itaú BBA, se os preços se mantiverem nos níveis atuais até dezembro de 2026, a Petrobras não conseguirá cumprir as exigências da política de preços na média anual. “Nesse contexto, a empresa terá que implementar novos reajustes adicionais a menos que haja uma correção nos preços praticados no mercado”, afirmaram os especialistas em relatório.
Após o primeiro turno das eleições, o governo anunciou um novo subsídio com o objetivo de atenuar os impactos internacionais sobre o mercado interno. Em 9 de outubro, foi introduzida uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel importado. No entanto, especialistas alertam que o prazo estipulado para essa medida — válido por apenas 30 dias — pode não ser suficiente para garantir volumes significativos de importação. Este novo subsídio se junta aos R$ 2,12 por litro já existentes.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) estima que o preço do diesel da Petrobras está R$ 3,50 por litro abaixo do preço do produto importado. Apesar disso, a associação afirma não haver risco iminente de desabastecimento.
A Petrobras responde por cerca de 70% do fornecimento doméstico de diesel através da combinação entre produção interna e importações. As compras realizadas no exterior costumam ser utilizadas para complementar a oferta própria durante períodos programados de manutenção nas refinarias. Atualmente, duas importantes unidades da estatal estão passando por paradas programadas: a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada no Paraná, deve retomar suas atividades em novembro; enquanto isso, a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, está prevista para concluir sua manutenção em outubro. A Petrobras não se manifestou quando questionada sobre os subsídios ao diesel.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou um pacote financeiro de US$ 8 bilhões destinado aos agricultores como compensação pela alta dos preços do diesel durante a colheita.
