Petróleo se destaca nas exportações do Brasil, garantindo 50% do superávit nacional

Entre janeiro e setembro deste ano, o superávit comercial da balança de petróleo e seus derivados alcançou a marca de US$ 31,22 bilhões, um aumento significativo de 40% em comparação ao mesmo período de 2025. Este total representa metade do superávit da balança comercial como um todo e superou levemente o saldo positivo registrado de US$ 31,18 bilhões para outros produtos que compõem as exportações e importações brasileiras.

A partir de setembro, o petróleo bruto se tornou o principal item nas exportações do Brasil. Especialistas consultados indicam que essa tendência deve continuar, impulsionada pelo aumento nos volumes exportados e pela manutenção de preços relativamente altos. Até agosto, a soja liderava as exportações.

Segundo estimativas de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as exportações de petróleo devem totalizar US$ 59,96 bilhões em 2026, marcando um crescimento de 34,2% em relação ao ano anterior. A soja deverá ocupar a segunda posição com receitas projetadas em US$ 53,25 bilhões, apresentando uma elevação de 22,3%. Juntas, essas commodities contribuirão significativamente para o superávit total da balança comercial brasileira, estimado em US$ 85,26 bilhões para este ano. Em 2025, esse valor foi registrado em US$ 68,07 bilhões.

A balança de derivados de petróleo, historicamente negativa, apresentou um déficit de US$ 6,54 bilhões no mesmo período. Essa cifra é 9,3% superior ao déficit observado nos primeiros nove meses de 2025. Em contrapartida, o superávit na balança de petróleo bruto foi recorde neste período, atingindo US$ 37,76 bilhões e representando um aumento de 33,5% em relação ao ano anterior. Esse desempenho robusto compensou amplamente a perda significativa na balança dos derivados. Os dados são oriundos do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

O aumento nos preços do petróleo resultante dos conflitos no Oriente Médio impactou tanto as exportações quanto as importações da commodity e seus derivados. De acordo com Lia Valls, coordenadora do Icomex e pesquisadora associada ao FGV Ibre, essa situação fez com que os preços médios das exportações subissem 17% entre janeiro e setembro deste ano comparado aos mesmos meses do ano passado. Com uma elevação também no volume embarcado em 12,1%, houve um crescimento total na receita das exportações dessa commodity que chegou a 28,6%.

Quanto às importações brasileiras de combustíveis derivados do petróleo, as altas cotações e a limitação na oferta levaram a um aumento médio dos preços em torno de 35,1%. Apesar disso, o volume desembarcado caiu apenas 8,1%, minimizando os efeitos dessa alta nos gastos totais com importação que cresceram em 23,2%.

André Valério, economista do Inter, acredita que o petróleo bruto deverá continuar sendo o principal produto nas exportações brasileiras. Ele ressalta que nesta época do ano não há tanta concorrência por parte das commodities agrícolas devido à conclusão das principais exportações. Valério também não prevê mudanças significativas para a dinâmica do mercado petrolífero no curto prazo e acredita que será desafiador ver uma queda acentuada nos preços do barril.

Bruno Cordeiro, analista da Stonex, destaca que já era esperado um aumento na produção petrolífera para o próximo ano. Segundo o Plano Anual de Produção (PAP) da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a média esperada para este ano é de aproximadamente 4,19 milhões de barris diários — uma alta considerável de 24,5% frente a média registrada em 2025.

A demanda interna também impulsiona essa expansão na produção nacional. Cordeiro observa que as refinarias estão intensificando sua produção de diesel e querosene para atender ao mercado local. A Agência Internacional de Energia já havia previsto que o Brasil seria um dos principais ofertantes secundários no setor petrolífero global.

No contexto atual dos mercados internacionais e os conflitos no Oriente Médio geraram restrições significativas na oferta global. Cordeiro menciona ataques recentes contra centros refinadores na Rússia e ações contra refinarias na Arábia Saudita como fatores que afetaram ainda mais a disponibilidade dos combustíveis.

A previsão da StoneX indica que os preços do barril devem permanecer acima dos US$100 no último trimestre deste ano. Cordeiro alerta para a necessidade cautela com essas projeções devido à incerteza sobre os desdobramentos relacionados ao estreito de Ormuz após as eleições legislativas nos EUA programadas para novembro.

A projeção atual realizada pelo Inter aponta um superávit comercial total brasileiro em torno de US$89 bilhões para o próximo ano — um número consideravelmente superior às estimativas iniciais entre US$70 bilhões e US$75 bilhões feitas no início deste exercício. Valério atribui essa melhoria principalmente ao crescimento das exportações petrolíferas inesperadamente elevado.

By Portal de Canoas