Expansão no comércio atacadista do Rio Grande do Sul: mais empresas e empregos, mas queda nas receitas acumuladas

Atualmente, o comércio atacadista no Rio Grande do Sul passa por um processo de crescimento estrutural, embora enfrente desafios relacionados à rentabilidade. Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, o setor observou um aumento no número de empresas e uma leve elevação na criação de postos de trabalho, enquanto o faturamento acumulado apresentou uma retração, conforme dados do Observatório do Comércio (IFEP-RS, Fecomércio-RS, Sesc-RS, Senac-RS) e do Sindicato do Comércio Atacadista do RS (Sindiatacadista).

O levantamento aponta que o setor atacadista conta com 37.656 empresas, representando um crescimento de 3,37% em relação ao período anterior. Em termos de emprego, são 119.452 trabalhadores contratados, com um incremento de 0,5% nesse número. A taxa de rotatividade empresarial se manteve em 6,6%, considerada baixa e que sugere maior estabilidade nas operações e redução na mortalidade das empresas. Por outro lado, a rotatividade dos postos de trabalho atingiu 47,3%, um índice elevado em comparação ao varejo, que apresenta uma taxa de 63,9%.

No que diz respeito aos aspectos financeiros, o desempenho foi menos positivo. O setor movimentou R$ 349,7 bilhões em vendas durante o período analisado, mas houve uma queda de -0,84% no faturamento acumulado em relação ao ano anterior. No entanto, o último mês da série indicou uma recuperação pontual com um aumento de 4,12% em relação ao mês anterior.

Informações adicionais fornecidas pelo Sindiatacadista ressaltam a importância do setor na economia gaúcha: são cerca de 37.600 estabelecimentos e aproximadamente 120 mil empregos gerados. O comércio atacadista representa 4,5% do PIB do estado e contribui com 17% na arrecadação do ICMS. Esses dados sublinham o papel estratégico do atacado na estrutura fiscal e produtiva do Rio Grande do Sul.

Esse cenário evidencia um setor que cresce em termos estruturais e mantém estabilidade mesmo diante da retração no varejo — que perdeu 4,25% das empresas e registrou uma diminuição de 0,3% nos postos de trabalho. Entretanto, a queda no faturamento acumulado sugere uma pressão sobre as margens e volumes dos negócios, possivelmente devido à competição intensa, compressão nos preços e adaptação às novas modalidades de consumo como o comércio eletrônico.

A baixa rotatividade das empresas reforça a percepção de que o atacado é menos suscetível a crises econômicas conjunturais, consolidando-se como um elo estável dentro da cadeia comercial. Em contrapartida, a elevada rotatividade dos empregos indica dificuldades na retenção de talentos e revela a necessidade urgente de políticas que promovam a qualificação e valorização da força de trabalho.

Em resumo, o comércio atacadista no Rio Grande do Sul demonstra resiliência e está em expansão ao sustentar crescimento tanto no número de empresas quanto nos postos de trabalho ao mesmo tempo em que mantém sua relevância econômica e fiscal. Contudo, a queda no faturamento acumulado exige ajustes estratégicos voltados para aumentar a eficiência logística, promover inovações nos canais digitais e implementar políticas focadas na retenção dos trabalhadores.

Fontes: Observatório do Comércio – IFEP-RS, Fecomércio-RS, Sesc-RS, Senac-RS; Sindiatacadista-RS

By Portal de Canoas