Prefeito de Porto Alegre critica a decisão do Senado sobre a extinção da escala 6×1 como uma manobra política

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, qualificou a aprovação do fim da jornada de trabalho 6×1 pelo Senado como uma “demagogia eleitoral”. A decisão foi tomada em dois turnos na noite de quarta-feira (14), e agora a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) está prestes a ser promulgada pelo Congresso Nacional.

Melo expressou sua indignação nas redes sociais, afirmando: “Essa aprovação é mais uma demonstração de demagogia. Reduzir a carga horária requer responsabilidade, planejamento e consideração das realidades de cada setor. Não se pode transformar isso em um mero compromisso eleitoral. A direita, a esquerda e o Centrão se unem quando é hora de angariar votos, mas ninguém discute quem arcará com essa conta. Repudio essa falta de responsabilidade, pois o dinheiro não aparece magicamente. Os municípios têm serviços terceirizados que necessitarão de aumentos significativos. Isso inclui contratos relacionados à saúde, limpeza urbana, reparos nas vias, transporte público, entre outros.”

O prefeito ainda destacou que o impacto financeiro estimado dessa medida pode chegar a R$ 35 bilhões anualmente para os municípios. Como presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), ele alertou que esse montante corresponde a metade da arrecadação total anual do IPTU nas cidades brasileiras. “Essa situação poderá comprometer serviços essenciais e quem arcará com isso será a população. Criar novas demandas sem esclarecer de onde virão os recursos é brincar com o erário público. Sem financiamento adequado e sem avaliar as consequências, essa ação pode inviabilizar a administração municipal”, enfatizou Melo.

Na mesma tarde, o prefeito acompanhou Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato à Presidência da República, durante um evento de campanha em Porto Alegre. O presidenciável votou remotamente a favor do fim da escala 6×1.

Durante o encontro, Melo comentou sobre os desafios enfrentados pela cidade em relação às enchentes e ressaltou a importância de ações colaborativas para fortalecer o sistema de proteção. “A água não reconhece as fronteiras geográficas das cidades; por isso, a gestão das cheias deve envolver uma governança conjunta entre municípios, Estado e União”, afirmou ao lado de Flávio e dos governadores e senadores eleitos no Dique do Sarandi, localizado na Zona Norte.

By Portal de Canoas