Conflito no Supremo resulta em pedidos de revisão de prisões por cinco detidos do caso Banco Master

A tensão entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da forma como as investigações do caso Master estão sendo conduzidas levou pelo menos cinco pessoas que estão sob investigação e detidas a solicitar à Corte a análise de recursos que ainda não foram julgados em relação às suas prisões preventivas.

Os nomes dos solicitantes incluem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, seu pai Henrique Moura Vorcaro, o primo Felipe Cançado Vorcaro, o cunhado Fabiano Zettel e o advogado Daniel Lopes Monteiro. As defesas argumentam que há uma demora excessiva na avaliação dos recursos e uma falta de clareza sobre como os processos estão sendo geridos após a suspensão imposta pelo presidente do STF, Edson Fachin.

Edson Fachin assumiu a responsabilidade pela investigação que examina a possível abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes. Durante esse processo, ele determinou que os casos relacionados ao Master e às fraudes no INSS fossem enviados à Presidência, interrompendo sua tramitação. Essa decisão afetou procedimentos que estavam sob a relatoria de André Mendonça.

A crise se intensificou durante uma sessão extraordinária realizada em 15 de setembro, quando o STF debateu se os casos referentes a Moraes e Mendonça deveriam ser analisados juntos. O julgamento foi pausado devido a um pedido de vista do ministro Flávio Dino, com um placar parcial de 4 votos a 3 favorável à separação dos processos.

Desde então, as defesas dos investigados detidos têm pressionado por uma solução que impeça que as disputas sobre a condução das investigações atrapalhem a análise das prisões.

No dia 18 de setembro, a defesa de Daniel Vorcaro fez um pedido para revogar sua prisão preventiva. Os advogados sustentam que o prazo de 90 dias para revisão periódica da custódia expirou no final de agosto e mencionam a incerteza gerada no STF. Vale lembrar que o ex-banqueiro está encarcerado há mais de seis meses.

Henrique, seu pai, também solicitou a Fachin que desbloqueie a análise do seu processo, incluindo os recursos pendentes e um pedido para cumprir prisão domiciliar por questões de saúde. Por sua vez, a defesa de Felipe Cançado, primo de Daniel, informa que um pedido de revogação feito em junho ainda não foi analisado e ressalta que o prazo para revisão periódica da custódia terminou em 14 de setembro.

Fabiano Zettel, cunhado e ex-assessor financeiro de Vorcaro, também teve seus advogados recorrerem a Fachin solicitando a revogação da prisão. A defesa destaca que existem pedidos pendentes aguardando apreciação por parte de Mendonça, incluindo um requerimento para substituição da prisão preventiva por domiciliar por razões humanitárias.

O advogado Daniel Lopes Monteiro, investigado por supostamente estruturar pagamentos ilegais ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, também acionou a Presidência. Segundo sua defesa, um recurso contra sua prisão está à espera de análise há quatro meses e a última decisão sobre sua manutenção foi emitida em maio.

O julgamento previsto para discutir as ações de Mendonça em 23 de setembro foi retirado da pauta por Fachin. Com o pedido de vista feito por Dino suspendendo essa questão, ainda não há uma resolução definitiva sobre se os procedimentos envolvendo os dois ministros serão tratados conjuntamente ou separadamente.

By Portal de Canoas