São Leopoldo recebe nova usina de biometano com aporte de R$ 95 milhões, impulsionando a transição energética no RS

Instalação da CRVR reforça a economia circular e posiciona o Rio Grande do Sul como um líder em energia limpa no Brasil.

O estado do Rio Grande do Sul avançou significativamente na sua transição energética com a abertura da segunda usina de biometano proveniente de aterros sanitários. A nova instalação, situada na Unidade de Valorização Sustentável da CRVR, localizada em São Leopoldo, recebeu um investimento total de R$ 95 milhões. Esta planta terá capacidade para gerar 34 mil Nm³ de combustível renovável por dia, sendo que parte desse valor foi financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aportou R$ 76,4 milhões no projeto.

A solenidade de inauguração ocorreu nesta quinta-feira (13) e contou com a presença de diversas autoridades e representantes do setor produtivo. O governador Eduardo Leite enfatizou a importância do projeto para fortalecer a matriz energética do estado e promover um modelo mais sustentável. “A geração de biometano oferece ao Rio Grande do Sul uma fonte de energia segura e crucial para nosso crescimento econômico. Com as plantas de biometano, podemos suprir mais de 10% da nossa demanda interna de gás. Celebramos aqui um duplo benefício: a energia gerada e o adequado manejo dos resíduos, o que reduz emissões de carbono e metano”, declarou.

Leomyr Girondi, diretor-presidente da CRVR, destacou que essa iniciativa transforma passivos ambientais em ativos econômicos. “A geração de resíduos orgânicos é uma realidade nas grandes cidades e estamos convertendo esse passivo em um ativo ambiental. Este gás renovável substitui os combustíveis fósseis, oferecendo vantagens significativas enquanto gera empregos e tributos no estado”, comentou.

<pRafael Salamoni, diretor da Biometano São Leopoldo, ressaltou que esta planta representa um avanço estratégico importante. “Com esta instalação, alcançamos uma produção diária de 100 mil metros cúbicos de biometano e visamos expandir nossa capacidade para mais de 200 mil metros cúbicos para atender até 10% do consumo estadual. Este projeto é vital não apenas para a economia circular e descarbonização, mas também para a criação de empregos e promoção da sustentabilidade em nosso estado,” afirmou.

O biometano é gerado através da purificação do biogás resultante da decomposição dos resíduos nos aterros sanitários. Considerado um combustível versátil e essencial, possui mais de 95% de metano após o processo de purificação, permitindo sua utilização como substituto tanto do gás natural quanto do diesel, com uma redução potencial das emissões de gases estufa em até 99%. Sua produção contínua garante uma oferta estável ao longo do ano, contribuindo assim para a segurança energética.

A unidade da CRVR em São Leopoldo coleta resíduos provenientes de aproximadamente 58 municípios e possui a primeira planta semimecanizada para triagem no Rio Grande do Sul, capaz de processar até 15 toneladas por hora. Essa infraestrutura facilita a recuperação de materiais recicláveis que retornam à cadeia produtiva, diminuindo o volume enviado aos aterros e promovendo uma economia circular robusta. Além disso, o complexo abriga uma planta da Biotérmica, que gera energia elétrica utilizando o biogás coletado no aterro, com capacidade instalada de 1 MWh. A energia produzida será utilizada na própria usina de biometano, aumentando ainda mais a sustentabilidade do processo.

A nova usina representa a segunda operação dedicada ao biometano implantada pela CRVR no estado; a primeira foi inaugurada em Minas do Leão em setembro do ano anterior. Juntas, essas instalações têm uma capacidade total produtiva que atinge os 100 mil Nm³ por dia. A ação faz parte da estratégia do Grupo Solví, controlador da CRVR, reafirmando seu compromisso na transformação dos resíduos urbanos em energia limpa. A escolha por São Leopoldo se deve ao seu potencial industrial significativo, ampliando as oportunidades para utilização em larga escala do biometano.

Além disso, o projeto tem como objetivo atender às demandas industriais e comerciais locais — fornecendo gás para empresas como Ultragaz — contribuindo assim para diminuir a dependência externa em relação aos combustíveis fósseis e estabilizar preços num mercado frequentemente volátil. O impacto ambiental é notável: ao transformar resíduos em energia útil, o estado consegue reduzir as emissões tanto de carbono quanto metano, além de fortalecer a economia circular e criar um modelo energético mais resiliente e sustentável.

By Portal de Canoas