A tradicional competição da raça Holandesa destaca exemplares de Catuípe e Anta Gorda em Esteio, reafirmando a importância da pecuária leiteira em um cenário onde eficiência, genética e sustentabilidade moldam o futuro do setor.
Um dos eventos mais esperados da Fenasul Expoleite voltou a evidenciar o que há de mais técnico e estratégico na cadeia produtiva do leite no Brasil: o Concurso Leiteiro da raça Holandesa. Acontecendo no Parque de Exposições Assis Brasil, esta edição premiou exemplares de alta qualidade provenientes de Catuípe e Anta Gorda, embora seu significado transcenda a simples revelação das campeãs.
Em um contexto cada vez mais voltado para a eficiência produtiva, bem-estar dos animais e precisão genética, conquistar o título em Esteio é um indicativo de excelência técnica. Isso representa uma certificação no mercado e uma valorização significativa do rebanho.
A Granja Garzella, sob a liderança de Gelson Garzella, viu sua vaca Garzella 439 Marua Alongside ser coroada campeã na categoria Vaca Adulta, após obter uma média impressionante de 70,59 quilos de leite — resultado calculado com base na eliminação da maior e da menor pesagem, método adotado para garantir um equilíbrio técnico.
Na categoria Vaca Jovem, o destaque foi para Ferraboli 553 Doorman, da Granja Ferraboli, pertencente a Paulo, Diego e Diogo Ferraboli, que alcançou uma média de 56,08 quilos.
Embora os números sejam notáveis, eles representam apenas uma fração da realidade para aqueles que atuam na pecuária leiteira. Cada litro de leite é fruto de anos dedicados à seleção genética, investimento em nutrição adequada, saúde animal e conforto, além do suporte técnico constante.
O Concurso Leiteiro avalia não apenas o volume produzido, mas também a consistência e a capacidade produtiva mantida sob rigor técnico. Durante os dias do evento, os animais são submetidos a monitoramento intenso. Aspectos como alimentação, hidratação e descanso são criteriosamente acompanhados, pois pequenas variações podem influenciar diretamente nos resultados finais.
Esse concurso se assemelha a um laboratório vivo dentro da cadeia leiteira. Para muitos criadores, conquistar um prêmio em Esteio significa não só aumentar o valor genético do rebanho, mas também ampliar o reconhecimento no mercado e abrir novas possibilidades comerciais.
Na cerimônia realizada durante o evento, Marcos Tang, presidente da Gadolando, enfatizou esse esforço silencioso que sustenta os resultados obtidos nas competições. “Agradeço a todos que compareceram e às autoridades por reconhecerem o trabalho daqueles que estão no campo realizando suas atividades. O Brasil está aqui”, declarou ele.
Outro momento marcante foi o tradicional banho de leite, uma cerimônia que celebra as campeãs do concurso. Este ato simbólico combina água com parte do leite não apto ao consumo humano, transformando um procedimento técnico em um dos momentos mais significativos do evento.
<pComo parte das tradições do concurso, 1.020 litros de leite serão entregues à Prefeitura de Esteio para benefício de instituições sociais locais. Essa ação reforça uma mensagem poderosa: o leite que representa produtividade também se converte em solidariedade.
A edição de 2026 do Concurso Leiteiro evidencia uma tendência clara na pecuária contemporânea: não basta apenas produzir mais; é necessário produzir melhor ao integrar genética superior com eficiência econômica e práticas sustentáveis que promovam o bem-estar animal dentro do mesmo sistema produtivo.
Ao reconhecer os animais de Catuípe e Anta Gorda, a Fenasul Expoleite presta homenagem a toda uma cadeia produtiva — composta por famílias produtoras, assistência técnica especializada, cooperativismo e inovações — essencial para o avanço rural no Rio Grande do Sul.
No centro da pista iluminada por aplausos e cercada pela tradição e pela qualidade dos produtos apresentados ficou claro que o futuro da pecuária leiteira brasileira continua sendo construído onde tudo começou: dentro das propriedades rurais — transformando legado em tecnologia e desenvolvimento econômico no campo.

