O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) decidiu reabrir a investigação contra o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro e outras 25 pessoas por suspeitas de desvio de dinheiro público através de funcionários fantasmas, conhecido como rachadinha, na Câmara Municipal. A Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) determinou a reabertura do caso após avaliar que a investigação anterior deixou de realizar diligências essenciais.
De acordo com o documento, a continuação das investigações é necessária para esclarecer adequadamente os fatos. A Procuradoria aponta que o arquivamento anterior não analisou detalhes como retiradas de valores de um cofre bancário e a compra de um apartamento pelo ex-vereador.
A investigação contra Carlos Bolsonaro tinha sido arquivada pelo Ministério Público em setembro de 2024, com sete funcionários do gabinete denunciados por peculato. Segundo a denúncia, o chefe de gabinete Jorge Luiz Fernandes teria liderado a organização entre 2005 e 2021, arrecadando cerca de R$ 1,9 milhão, valor supostamente devolvido por funcionários nomeados no gabinete.
O juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga contestou o arquivamento no início de 2025, apontando omissões na investigação. Assim, o caso foi encaminhado para análise da Procuradoria-Geral de Justiça, que optou por reabrir o procedimento.
A lista de investigados inclui 26 pessoas, entre elas Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ana Cristina foi chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro de 2001 a 2008, e relatórios financeiros apontam depósitos em dinheiro vivo em sua conta.
A Assessoria Criminal da PGJ destacou a importância de ouvir os investigados para investigar a prática de rachadinha e formar um juízo mais seguro sobre eventuais denúncias.
Jorge Luiz Fernandes, apontado como chefe da suposta organização criminosa da rachadinha, preferiu não se manifestar. A vereadora Alana Passos, que herdou o cargo de vereadora após a renúncia de Carlos Bolsonaro, declarou que as investigações tinham sido arquivadas.
A defesa de Ana Cristina Siqueira Valle repudiou a última manifestação da Assessoria Criminal da PGJ, criticando a reabertura das investigações. Em nota, a defesa declarou confiar nas instituições de forma imparcial e legal.
O MPRJ informou que, após análise, considerou o arquivamento prematuro e determinou a realização de diligências adicionais. O caso foi encaminhado para a Promotoria de Investigação Penal Especializada para a continuação das investigações. (Com informações do portal g1)

