Em resposta aos impactos dos juros altos na atividade econômica, o governo implementou uma série de medidas de estímulo que, somadas aos investimentos de Estados e municípios, devem inserir cerca de R$ 114 bilhões na economia em 2026. Esse valor é suficiente para representar pelo menos metade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) previsto por especialistas para um ano com eleições, reduzindo o risco de uma desaceleração mais acentuada devido ao custo elevado do crédito.
Projeções de diferentes instituições indicam que os gastos do governo federal, as políticas de redistribuição de renda e o aumento do crédito devem reacender a demanda, após um ano de 2025 com um estímulo fiscal mais moderado. Além disso, uma parte substantiva do crescimento esperado deve provir das obras realizadas por governos estaduais e prefeituras, que estão com mais folga financeira e têm gasto menos com juros após renegociar dívidas com a União.
Em média, estimativas sugerem que os estímulos do governo federal e das administrações subnacionais gerem um impulso equivalente a 0,9% do PIB. Com previsões de crescimento de 1,7% para 2026, isso corresponde a aproximadamente R$ 114,3 bilhões adicionados à economia.
Do lado do governo federal, a principal contribuição — entre 0,2% e 0,3% do PIB — deve vir da isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. O crédito consignado para trabalhadores do setor privado terá um impacto estimado em 0,2% do PIB, enquanto as projeções de estímulo provenientes de Estados e municípios variam de 0,2% a 0,6% do PIB.
O maior fluxo de estímulos durante o governo atual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocorreu nos dois primeiros anos do mandato, com a ampliação de programas sociais, o retorno de reajustes reais do salário mínimo e o pagamento de precatórios atrasados, fatores que impulsionaram o crescimento acima do esperado. Com a implementação do arcabouço fiscal, que estabeleceu limites aos gastos e metas de redução do déficit primário, o governo passou a recorrer mais a fundos fora da regra fiscal e a compensações através do aumento de tributos sobre aplicações financeiras, alta renda e redução de benefícios fiscais.
Em 2025, o atraso na aprovação do Orçamento — sancionado somente em abril — contribuiu para um estímulo fiscal próximo da neutralidade. No segundo semestre, porém, a execução das despesas ganhou impulso com novos pagamentos de precatórios e a liberação de emendas parlamentares.
Para 2026, as medidas pró-crescimento incluem a expansão do Minha Casa, Minha Vida, linhas de crédito para reforma de imóveis, descontos na conta de energia através do programa Luz para Todos, gratuidade do botijão de gás para famílias vulneráveis e a liberação de parte do compulsório da poupança para ampliar o crédito imobiliário.
Segundo estimativas do BTG Pactual, a nova tabela do Imposto de Renda poderá transferir cerca de R$ 30 bilhões por ano às famílias beneficiadas. O crédito consignado privado adicionaria outros R$ 24 bilhões, enquanto o novo modelo de financiamento imobiliário deve inserir R$ 37 bilhões entre o final de 2025 e 2026. O crédito para reformas residenciais poderá adicionar R$ 14 bilhões, e a nova faixa do Minha Casa, Minha Vida, cerca de R$ 8 bilhões.
Economistas alertam, no entanto, para as incertezas. Segundo Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, o impacto dessas políticas pode representar cerca de um quarto do crescimento previsto de 2% do PIB em 2026. “Dependerá do comportamento das famílias em relação a poupar, quitar dívidas ou consumir”, afirma.
Apesar dos limites fiscais e eleitorais, analistas enxergam o risco de novos estímulos. O Itaú Unibanco aponta tendência de crescimento na projeção de 1,7% para 2026, diante da possibilidade de medidas adicionais para conter a desaceleração econômica.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)

