A nova semana trouxe mudanças significativas para o mercado global de grãos. As previsões climáticas otimistas nas principais áreas agrícolas dos Estados Unidos resultaram na diminuição do prêmio de risco que vinha sustentando os preços da soja e do milho em Chicago. Além disso, a queda nos valores do petróleo, impulsionada pela redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e no Mar Negro, impactou negativamente o setor energético, afetando commodities relacionadas aos biocombustíveis, como o óleo de soja e o milho utilizado na produção de etanol.
Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, comenta: “Observamos uma melhora significativa nas previsões climáticas nos Estados Unidos. Este era um tema recorrente em nossas discussões sobre a volatilidade do mercado climático e suas consequências. O que se confirmou foi essa redução no prêmio de risco, refletindo um retorno às cotações em Chicago.” Ela ainda destaca que a queda nos preços foi intensificada pela diminuição das tensões entre Irã e Israel, o que levou à desvalorização do petróleo e afetou a dinâmica do mercado energético.
No Brasil, a colheita da safrinha começa a ganhar ritmo, alterando as prioridades dos produtores rurais. A alta oferta está pressionando tanto a capacidade de armazenamento quanto a logística, resultando em aumento nos custos de frete que impactam a rentabilidade. Para os agricultores medianos, isso implica uma análise cuidadosa não apenas dos preços globais, mas também dos custos locais e do fluxo de caixa disponível. Contudo, o aumento nas exportações pelo Arco Norte, aliado à demanda da indústria de etanol e à valorização dos contratos futuros, confere algum suporte ao mercado.
“Mesmo com essa queda nos preços, ainda estamos observando os melhores valores desde março. Os preços permanecem atraentes e, apesar da diminuição recente, podemos ver boas oportunidades em reais por saca”, afirma Yedda. Ela recomenda que os produtores levem em consideração os custos relacionados ao armazenamento, frete e as condições regionais antes de decidir sobre as vendas. “É sempre aconselhável que os agricultores analisem tanto os preços em Chicago quanto as cotações em reais por saca para entender como essas variáveis podem se compensar,” conclui.

