O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou em uma entrevista nesta segunda-feira (19) que ainda irá decidir seu papel nas eleições de 2026 em discussões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caracterizando o processo como uma “conversa entre amigos”. Embora tenha resistido a se candidatar, há crescente pressão para que entre na disputa pelo Senado ou pelo governo de São Paulo.
Em uma entrevista ao Uol, Haddad mencionou que já havia recusado pedidos do presidente anteriormente. “Lula fez de tudo para que eu fosse candidato a prefeito em 2020, e eu não aceitei”, disse ele. “Quando ele recebeu o título de cidadão parisiense, ele me convidou para acompanhá-lo, e durante toda a viagem ele insistiu para que eu fosse candidato, mas eu recusei.”
O ministro planeja deixar o cargo no início deste ano, antes do prazo de desincompatibilização para candidatos, em abril, embora não tenha definido uma data específica. Ele destacou a importância de seu sucessor assumir as responsabilidades no início do ano, para lidar com questões como a execução orçamentária e financeira. Dario Durigan, secretário-executivo de Haddad, é considerado o favorito para o cargo.
Haddad reafirmou que tem declarado em diversas ocasiões que não pretende concorrer a cargos eleitorais, mas está aberto a chegar a um consenso com Lula sobre o assunto. Ele afirmou que ambos expressaram seus pontos de vista e que, no momento, não está focado em cargos políticos, mas sim em dedicar um tempo para discutir o futuro do país.
“Tenho escutado o presidente Lula e, recentemente, iniciamos conversas sobre o assunto. Ainda não chegamos a um acordo nessa primeira conversa, ele está apresentando seus argumentos, eu estou apresentando os meus, de forma respeitosa. Em breve vamos chegar a um consenso”, afirmou Haddad.
O ministro também analisou que a economia perdeu destaque entre as preocupações dos brasileiros e que não será determinante para o resultado das eleições. Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada na semana passada mostrou que a violência é a principal preocupação dos brasileiros (31%), seguida de questões sociais (18%), corrupção (17%) e economia (12%).
Para Haddad, o mundo está passando por um momento de ascensão da extrema direita, o que torna as pessoas mais suscetíveis às notícias do momento. Ele ressaltou que, embora a economia seja importante, não será suficiente para garantir vitória eleitoral. Ele citou o exemplo de Joe Biden nos Estados Unidos, que perdeu para Donald Trump mesmo com uma economia mais forte do que quando venceu inicialmente.
Em relação ao cenário econômico do Brasil, Haddad mencionou que o poder de compra do salário mínimo foi recuperado, seguindo exemplos do segundo mandato de Lula e do primeiro mandato de Dilma Rousseff. Ele também destacou que a reforma tributária poderá reduzir o preço dos alimentos. (Com informações de O Estado de S.Paulo)

