A relação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump não deve impedir os Estados Unidos de tentarem interferir nas eleições brasileiras de 2026, assim como fizeram em outros países da América Latina, de acordo com o governo brasileiro.
Segundo um alto funcionário do governo Lula, a remoção de tarifas sobre produtos brasileiros e das sanções da Lei Magnitsky por parte de Trump pode ter sido apenas um recuo estratégico após a tentativa fracassada de evitar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O governo brasileiro teme que Trump use a mesma estratégia de interferência adotada nas eleições da Argentina e de Honduras. O presidente condicionou a concessão de um pacote de ajuda financeira à Argentina a um bom desempenho do partido de Milei nas eleições legislativas.
Em Honduras, Trump apoiou publicamente o candidato de extrema direita, Nasry “Tito” Asfura, resultando em acusações de “golpe eleitoral” pela presidente de esquerda Xiomara Castro, que atribui a interferência americana como causa.
Antes da eleição, Trump classificou a candidata governista, Rixi Moncada, como comunista e alertou que sua vitória entregaria o país ao ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e seus “narcoterroristas”. Além disso, concedeu um indulto ao ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, aliado de Asfura, um dia antes das eleições.
O governo brasileiro enxerga a necessidade de proteção contra possíveis intervenções americanas e considera a cooperação com os EUA no combate ao crime transnacional como uma defesa contra esse tipo de interferência.
A agenda internacional terá um peso significativo na eleição presidencial do Brasil, com a expectativa de apoio aberto de Trump ao candidato de direita, alinhado com seu governo.
Em relação à Venezuela, o governo brasileiro está atento a possíveis intervenções militares americanas durante o recesso e expressa preocupação com a falta de abertura do governo dos EUA para envolver o Brasil em diálogos com Nicolás Maduro.
A principal prioridade do governo brasileiro é evitar uma intervenção militar na Venezuela, pois isso poderia estabelecer um precedente para futuras ações em países como Colômbia e México, por exemplo.
As negociações entre Brasil e EUA para a retirada das tarifas restantes sobre produtos brasileiros e a devolução de vistos revogados estão em curso, com uma reunião entre ministros prevista para janeiro, após adiamento originalmente programado para novembro. (Com informações da Folha de S.Paulo)

