Frente Parlamentar da Agropecuária estima que renegociar dívidas rurais demandará R$ 65 bilhões ao longo de 13 anos

A proposta de renegociação das dívidas rurais, aprovada recentemente pelo Senado, foi estimada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) em um custo total de R$ 65 bilhões ao longo de 13 anos. Esse valor é consideravelmente menor que as projeções apresentadas pelo governo federal. O projeto, considerado de grande importância para o setor agropecuário, ainda precisa ser revisado pela Câmara dos Deputados antes de seguir para a sanção do presidente.

O debate entre o governo e a bancada ruralista está centrado nos efeitos fiscais dessa medida. Enquanto a equipe econômica do governo calcula que o custo para a União pode ultrapassar R$ 800 bilhões em mais de uma década, os representantes do agronegócio alegam que essas estimativas são excessivas e não levam em conta a capacidade de recuperação financeira dos produtores que serão beneficiados.

De acordo com a FPA, o projeto não contempla anistia das dívidas. Ao contrário, ele propõe a implementação de mecanismos que possibilitem a renegociação das obrigações financeiras acumuladas por agricultores afetados por desastres climáticos, flutuações no mercado e dificuldades no acesso ao crédito. A bancada defende que essa iniciativa visa assegurar condições favoráveis para que os produtores consigam cumprir seus compromissos financeiros e manter sua produção.

O texto aprovado cria uma linha especial de financiamento destinada ao refinanciamento das operações contratadas até o final de 2025. Entre as condições estabelecidas estão prazos mais extensos para pagamento, períodos de carência e taxas de juros inferiores às atualmente praticadas no mercado.

A proposta contempla um montante estimado em R$ 180 bilhões em operações de crédito rural consideradas problemáticas ou com baixa expectativa de recuperação. Os beneficiários incluem produtores inseridos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e grandes agricultores.

Entretanto, o governo federal expressa resistência à proposta. O Ministério da Fazenda argumenta que tal medida poderá trazer impactos significativos nas contas públicas e comprometer a sustentabilidade do crédito rural nos anos vindouros. A pasta também destaca possíveis repercussões sobre o Plano Safra e os mecanismos financeiros utilizados pelo setor agropecuário.

Durante as discussões no Senado, membros da equipe econômica caracterizaram o projeto como uma “pauta-bomba”, devido ao potencial impacto fiscal envolvido. O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, chegou a sugerir mudanças no texto para mitigar os custos operacionais e restringir o escopo da renegociação.

Por outro lado, os apoiadores da proposta enfatizam sua necessidade em face do crescente endividamento no campo, agravado por secas, enchentes e outros desastres climáticos ocorridos nos últimos anos. Parlamentares ligados ao agronegócio sustentam que a reestruturação das dívidas será crucial para preservar empregos, manter investimentos e evitar a deterioração da capacidade produtiva do setor.

A agora se aguarda que a Câmara dos Deputados analise as modificações feitas pelos senadores. O embate deve novamente colocar frente a frente a equipe econômica e a bancada ruralista, que divergem não apenas sobre os custos envolvidos na proposta, mas também sobre suas consequências para a economia e para as políticas agrícolas brasileiras.

By Portal de Canoas