A paralisação dos Correios, que teve início na última quinta-feira (10), está gerando incertezas para consumidores e pequenos vendedores em relação à entrega de suas encomendas. Informações recebidas indicam que muitos objetos estão atrasados, sem atualizações no rastreamento, levando a pedidos de reembolso do frete.
Um exemplo é o relato de Mariana Greco Mantovani, proprietária da Sweet Wishes Store no Instagram, onde ela comercializa bonecas e itens colecionáveis como Monster High, Funko e cartas de Pokémon. Segundo ela, duas caixas com aproximadamente oito encomendas de clientes estão retidas desde o começo do mês.
A empresa dos Correios comunicou que, em virtude do Plano de Continuidade de Negócios, as entregas estão sendo reorganizadas conforme necessário para garantir o manejo e a distribuição adequada das mercadorias.
Mariana explica que quando os produtos já se encontram no Brasil, é possível sugerir outras transportadoras aos clientes. Contudo, na fase de importação, essa opção não está disponível. “Ao receber os itens aqui no Brasil, consigo orientar os clientes a utilizarem outros meios de transporte, mas durante a importação, somos obrigados a depender dos Correios,” esclarece.
Ela também mencionou que o atraso exige dela um trabalho adicional para explicar a situação a cada cliente individualmente, sem poder fornecer uma nova data para entrega. Uma das encomendas já resultou em um pedido de reembolso devido ao atraso.
“Trabalhando com itens colecionáveis, existe uma grande chance de eu acabar com um produto específico parado em casa se houver atraso. Isso representa um prejuízo considerável,” lamenta ela.
Reclamações registradas no portal Reclame Aqui nesta quinta-feira (17) revelam outros consumidores enfrentando situações semelhantes, afirmando que suas encomendas também estão além do prazo esperado.
Em São Vicente, localizado a cerca de 70 km da capital paulista, um cliente relatou ter pago R$ 25 por um frete expresso; no entanto, sua encomenda ficou parada na cidade por dois dias após a chegada. O prazo original para entrega expirou um dia antes dessa espera. Ele solicitou o reembolso do valor pago pelo frete.
Quando indagados sobre a possibilidade de reembolso em situações de descumprimento do prazo de entrega, os Correios não forneceram resposta até o fechamento desta matéria. A estatal recomenda que clientes com questões específicas busquem seus canais de atendimento.
Em São Paulo, outro consumidor relatou que a última atualização do rastreamento ocorreu em 15 de setembro, quando a entrega estava programada para acontecer. Ele foi informado pelos Correios que uma manifestação sobre o caso poderia levar até cinco dias úteis para obter resposta.
Um cliente de São Carlos, situado a 231 km da capital paulista, afirmou estar aguardando uma encomenda Sedex atrasada desde sábado (12). O item contém um documento crucial para uma viagem marcada para esta sexta-feira (18). Ele solicita que os Correios localizem seu pacote e verifiquem a possibilidade de retirada pessoalmente.
A companhia anunciou que está mobilizando funcionários administrativos para auxiliar nas operações e promovendo mutirões de entrega visando manter o fluxo logístico e reduzir os impactos aos consumidores. Os Correios asseguram que essa operação está sob monitoramento constante e poderão ser implementadas novas medidas conforme necessário.
A empresa também garantiu que suas agências estão em funcionamento normal. “Os Correios reafirmam seu respeito ao direito à greve dos trabalhadores; no entanto, destacam que essa paralisação ocorre em um momento delicado,” declarou.
Além disso, os Correios solicitaram ao Tesouro Nacional garantias para contratar um novo empréstimo no montante de R$ 7 bilhões junto a quatro instituições financeiras privadas como parte do plano de reestruturação financeira da empresa. Já foi realizado um empréstimo anterior de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025 e há previsão para receber mais R$ 6 bilhões da União até 2027.
