Na manhã desta segunda-feira (24), o Parque de Exposições Assis Brasil, localizado em Esteio, abriu suas portas para receber os primeiros animais da 49ª edição da Expointer. O evento marcou o início do maior encontro agropecuário a céu aberto da América Latina, com um movimento intenso de caminhões e o som característico dos cascos, além das inspeções clínicas conduzidas pela Secretaria da Agricultura. Com 7.926 animais inscritos, esta edição estabelece um recorde significativo, sendo a maior em mais de dez anos.
Um recorde impressionante
O aumento no número de inscrições é notável em diversas categorias:
- Animais de argola: 5.756 (+12,7% em relação a 2025)
- Rústicos: 2.170 (+36%)
- Bovinos rústicos: 408 (+54%)
- Pequenos animais: 2.151 (+46,2%)
Esse crescimento reflete a confiança dos criadores e a vitalidade crescente da pecuária gaúcha, que se mostra cada vez mais diversificada e alinhada às exigências do mercado.
Os Texel recebem destaque
<pPelo segundo ano consecutivo, os ovinos Texel e Texel Naturalmente Colorido da Fazenda do Angico, situada em Tupanciretã, foram os primeiros a adentrar o parque. A viagem de 350 km foi realizada com cuidados especiais, incluindo calefação e iluminação no caminhão, além da presença de uma cordeira recém-nascida de apenas seis dias. “Optamos por viajar à noite para assegurar o bem-estar dos animais”, explicou o criador Arthur Valladão.
A genética como investimento no futuro
Marcos Tang, presidente da Febrac, enfatizou que a Expointer representa uma vitrine para a evolução genética no setor agropecuário. “Os protagonistas são os animais, seus expositores e criadores. Eles merecem todo reconhecimento e respeito”, disse ele. Tang também alertou sobre os riscos de interromper programas de melhoramento genético: “O investimento em genética deve ser contínuo e evolutivo. A interrupção pode ser prejudicial, pois trata-se de um processo que requer médio e longo prazo.”
Repercussão econômica
A cada ano, a Expointer movimenta centenas de milhões de reais por meio de leilões, julgamentos e vendas diretas. O número recorde de inscrições para 2026 reforça a confiança dos criadores e expande as oportunidades comerciais, solidificando o Rio Grande do Sul como um ponto de referência nacional em produção pecuária e genética. Além disso, o evento gera milhares de empregos temporários e impulsiona setores como hotelaria, gastronomia e comércio local.
Felipe Costela, prefeito de Esteio, ressaltou a importância da feira para a cidade: “As pessoas vêm para conhecer máquinas e veículos e aproveitar o comércio local. Estou certo que teremos grandes números tanto em público quanto em bilheteira.”
Cultura em evidência
A Expointer vai além de uma simples feira; é um verdadeiro encontro cultural. O Cavalo Crioulo se destaca como símbolo das tradições campeiras enquanto ovinos e caprinos sublinham a relevância da lã e carne na identidade regional. O parque se transforma em uma cidade vibrante que reúne famílias, produtores e visitantes do Brasil inteiro e do exterior. Para aqueles que vêm das áreas urbanas, é uma chance valiosa para se conectar com o campo e entender a importância da agropecuária na cultura gaúcha.
Márcio Madalena, secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do estado do Rio Grande do Sul, reiterou o simbolismo da chegada dos animais: “Este recebimento é um ato de acolhimento. Os animais são as verdadeiras estrelas da Expointer e devem ser tratados com todo cuidado sanitário.”
A Expointer 2026 não só estabelece um novo marco com seu recorde de inscrições como também apresenta uma diversidade sem precedentes. O evento é uma celebração da resiliência dos criadores que continuam investindo em genética e qualidade mesmo diante das adversidades econômicas. Como sintetiza Marcos Tang: “Aqui estarão os melhores exemplares da região, do estado e do país; muitos deles são considerados os melhores do mundo em suas respectivas raças. Isso nos enche de orgulho.”
