O julgamento da raça Devon na Fenagen evidencia que a qualidade vai além de fatores genéticos ou estéticos, sendo uma combinação de ciência e prática. O grande desafio da pecuária premium é transformar atributos técnicos em valor percebido pelo consumidor.
A relação entre fenótipo e genótipo nem sempre é linear quando se trata da seleção de bovinos. Durante o julgamento da raça Devon na Fenagen, ficou claro que é essencial analisar em conjunto as informações do campo e os dados genéticos na escolha dos animais. O jurado Thiago de Oliveira Jacques destacou que essa abordagem integrada facilita a identificação de reprodutores com potencial para melhorar a qualidade, garantindo um produto consistente para o mercado.
Embora o Brasil já tenha um domínio significativo em genética, manejo e tecnologia, ainda enfrenta o desafio de converter atributos técnicos em valor que seja percebido pelo consumidor. Para que a carne premium ganhe destaque, são necessárias a padronização, certificação e uma comunicação eficaz. É fundamental que os consumidores entendam a importância do marmoreio, da maciez e da origem da carne, além de estarem dispostos a investir mais por esses atributos. Sem uma explicação clara, a qualidade acaba se tornando invisível.
A experiência também desempenha um papel crucial: associar a carne premium a ocasiões especiais, chefs renomados e restaurantes conceituados pode fortalecer sua imagem. No mercado internacional, onde existe um maior reconhecimento e disposição para pagar por produtos diferenciados, o Brasil tem oportunidades estratégicas. No entanto, para consolidar essa presença global, é imprescindível alinhar produção, marketing e certificação.
Dessa forma, o julgamento da raça Devon na Fenagen ilustra que a qualidade não se resume apenas à genética ou à estética; é resultado de uma combinação entre ciência e prática. O próximo desafio será transformar essa qualidade em valor real, criando uma narrativa que conecte os aspectos do campo, a genética e o consumidor. Apenas assim a carne bovina premium poderá deixar de ser uma promessa para se firmar como uma realidade no mercado.

