Fenasoja abre portas para a agricultura familiar

O fortalecimento da produção em pequena escala ganhou destaque econômico nesta segunda-feira (4) durante a Fenasoja 2026, realizada em Santa Rosa. No espaço dedicado ao Cooperativismo, uma ação voltada para a agricultura familiar uniu produtores e consumidores, iluminando um movimento que se firma no agronegócio brasileiro: a valorização da produção local como método de garantir renda e permanência no campo.

Organizada pela Cooperconcordia em colaboração com a Central de Cooperativas Unicooper, a iniciativa apresentou produtos de agroindústrias familiares da região. Durante o evento, os visitantes tiveram a oportunidade de provar diversas iguarias e conhecer mais sobre a riqueza produtiva local, criando uma experiência que vai além da simples compra e se conecta às origens dos alimentos.

“O principal intuito dessa atividade foi dar destaque à variedade de produtos disponíveis no Pavilhão da Agroindústria”, afirma a organização, enfatizando que o contato direto entre produtores e consumidores é fundamental para essa proposta.

A movimentação observada na feira reflete um contexto mais amplo. A agricultura familiar responde por aproximadamente 70% dos alimentos consumidos no Brasil e desempenha um papel crucial na segurança alimentar, além de gerar uma quantidade significativa de empregos no meio rural. No estado do Rio Grande do Sul, o número de agroindústrias familiares formalizadas tem aumentado, promovendo cadeias curtas e ampliando as receitas nas propriedades rurais.

Nesse cenário, a Fenasoja — tradicionalmente associada à produção de grãos em grande escala — começa a incorporar com maior intensidade a diversidade produtiva do campo. A presença da agricultura familiar no evento sinaliza um reposicionamento do setor, onde a eficiência é medida não apenas pelo volume produzido, mas também pela capacidade de agregar valor aos produtos.

Na prática, observa-se uma mudança de paradigma: os produtores estão deixando de vender apenas matéria-prima para se dedicar à transformação dos alimentos, o que lhes permite conquistar margens maiores e diminuir a dependência de intermediários. Esse movimento fortalece as economias locais e contribui para a sustentabilidade das propriedades rurais.

Ao explorar a Casa do Cooperativismo, os visitantes encontraram queijos, embutidos, pães e conservas que refletem a identidade da região. Esses produtos vão além do consumo; são manifestações de um modelo produtivo que mescla tradição e inovação em pequenas escalas.

O cooperativismo se destaca como um elemento crucial nesse processo. Ao organizar os produtores, facilitar o acesso ao mercado e compartilhar custos logísticos, esse modelo potencializa a competitividade sem comprometer a essência artesanal da produção.

No espaço que abriga nove cooperativas, as atividades vão além da mera exposição. “Diversas ações são realizadas visando aproximar os visitantes da proposta da feira e promover os princípios do cooperativismo junto à sociedade”, informa a organização.

Outro aspecto importante é a rastreabilidade. Em um cenário onde os consumidores estão cada vez mais preocupados com a origem dos alimentos, a proximidade entre quem produz e quem consome se transforma em um diferencial competitivo significativo. A transparência na cadeia produtiva fortalece a confiança do consumidor e agrega valor ao produto final.

A Casa do Cooperativismo está acessível diariamente das 10h às 20h, servindo como um dos principais pontos de interação dentro da feira. A Fenasoja 2026 prossegue até 10 de maio, reunindo inovação, negócios e experiências diversificadas.

Ao integrar tanto produções em larga escala quanto agroindústrias familiares, o evento reafirma uma visão mais ampla do agronegócio. A agricultura familiar não apenas ocupa um espaço central como também se estabelece como uma força estratégica — não somente pela sua produção, mas pela habilidade de gerar valor e renda enquanto mantém uma conexão direta com o consumidor.

No contexto agrícola brasileiro, onde produtividade e competitividade continuam sendo fatores determinantes, o crescimento das cadeias curtas e da agroindustrialização familiar sugere que o futuro do agronegócio será moldado também pela valorização das origens.

By Portal de Canoas