De acordo com informações da Emater/RS-Ascar divulgadas nesta quinta-feira (26), o plantio das culturas de inverno no Rio Grande do Sul está atrasado. Esse atraso é atribuído às chuvas frequentes e em volumes muito elevados, que chegam a cerca de 300 milímetros em grande parte da região produtora do Estado. Até o momento, apenas 2% do plantio de trigo foi realizado, abrangendo 39% da área prevista para esta safra, que é de 1.198.276 hectares.
Nas lavouras de trigo recém-plantadas, foram registradas perdas devido a erosão, encharcamento e compactação superficial, principalmente durante as fases de germinação e emergência. A maioria dos danos é relacionada à erosão laminar, concentrada em pontos onde a água escoou, o que não exigirá replantio, apesar da redução no número de plantas.
O replantio será necessário apenas em algumas lavouras, localizadas em solo mais arenoso e que não seguiram práticas adequadas de conservação, ou em áreas de relevo inferior, onde houve acúmulo de água e transbordamento de rios.
Na região de Bagé, as lavouras de trigo foram gravemente afetadas pelas chuvas excessivas. Em Manoel Viana, onde 65% da área estava semeada, já se estima a necessidade de replantio devido a alagamentos e erosões severas. As chuvas também arrastaram sementes, plântulas e fertilizantes, reduzindo o potencial produtivo das lavouras na região.
Apenas as lavouras com boa cobertura de solo apresentam condições melhores, já que os processos erosivos não foram tão intensos. Na região de Ijuí, as chuvas intensas causaram erosão, principalmente em áreas com pouca cobertura de palha. Onde foram semeadas culturas outonais logo após a colheita da soja, os danos erosivos foram minimizados.
O avanço da semeadura da canola foi interrompido devido às chuvas, mesmo que a maioria dos produtores já tenha concluído o plantio. Os volumes elevados de chuva dificultaram a emergência das plantas. Em Frederico Westphalen, aproximadamente 65% da área está em fase vegetativa e 35% em floração.
Na região de Santa Maria, 92% da área destinada à canola foi semeada, com a maior parte em desenvolvimento vegetativo e uma pequena parcela em início de floração. Já em Soledade, a semeadura da canola foi finalizada, mas as chuvas intensas causaram perdas de fertilidade do solo devido à erosão hídrica, especialmente em áreas de concentração do escoamento superficial.
A semeadura da cevada foi temporariamente suspensa devido às chuvas recorrentes. As lavouras já estabelecidas estão se desenvolvendo bem, sem danos ocasionados pelas precipitações. Na região Norte do Estado, onde a maior parte da área é cultivada, os volumes de chuva foram menores, não resultando em enxurradas ou comprometendo o crescimento ou a saúde das plantas.

