Lula denuncia favorecimento de Flávio pela empresa do WhatsApp e solicita a anulação da chapa bolsonarista

A equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está se preparando para solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a investigação de um suposto método utilizado pela Meta, que, segundo alegações, visa manipular algoritmos em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência.

Essa ação reúne uma série de denúncias sobre irregularidades, incluindo o bloqueio do impulsionamento do perfil oficial de Lula no Instagram (lulaoficial) nas proximidades do primeiro turno, além do alcance médio dos reels de Flávio ser quase três vezes superior ao de Lula.

Com base em evidências que sugerem manipulação algorítmica pelas plataformas da Meta, como Instagram, Facebook, WhatsApp e Meta AI, a coligação liderada por Lula busca no TSE a anulação da chapa do senador Flávio Bolsonaro. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral também abrange o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que é o vice na chapa de Flávio, além do influenciador Pablo Marçal e do empresário Tallis Gomes.

Pablo Marçal e Tallis Gomes desempenham papéis como conselheiros na campanha de Flávio. Marçal, que foi candidato à Prefeitura de São Paulo em 2024, atua principalmente nas redes sociais, enquanto Tallis realiza conexões com empresários conservadores que se opõem à reeleição de Lula.

O principal argumento apresentado pelos advogados da campanha petista é que as plataformas Instagram, Facebook, WhatsApp e Meta AI trataram de forma desigual os candidatos Lula e Flávio, favorecendo assim a chapa adversária.

O pedido formalizado pelo comitê de Lula destaca que o alcance médio por reel foi quase três vezes maior para Flávio Bolsonaro, mesmo este tendo menos seguidores. Além disso, a Meta AI teria criado peças publicitárias com a mensagem “Vote 22”, enquanto pedidos semelhantes usando o número 13 foram negados.

A ação ainda menciona irregularidades relacionadas a uma rede composta por 255 perfis que produzem conteúdo sintético e 1.613 anúncios políticos pagos em moeda estrangeira. Também é citada a promoção de anúncios realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) entre os dias 7 e 9 deste mês, com acusações contra a Meta por descumprimento de ordens judiciais. Vale lembrar que a legislação eleitoral proíbe o financiamento de anúncios por entidades jurídicas.

Em ocasiões anteriores em que foi pressionada pela campanha de Lula, a Meta reconheceu existir problemas na moderação das redes sociais e falhas técnicas. Entretanto, a empresa nega ter qualquer intenção de favorecer Flávio na corrida presidencial.

Nesta quarta-feira (21), o comitê do presidente divulgou um documento elaborado por especialistas independentes da ONU, pedindo à Meta um tratamento justo para todos os candidatos nas eleições brasileiras e a correção das falhas identificadas.

“A perda de alcance pode resultar em uma diminuição da voz no debate público e na capacidade de mobilizar comunidades”, afirma um trecho do documento. “Os algoritmos, sistemas de IA e decisões sobre moderação não devem atuar como árbitros invisíveis na discussão política”.

Na semana anterior, a campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado ao TSE a cassação da chapa liderada por Lula, alegando que estruturas sindicais estariam direcionando recursos para apoiar a candidatura petista.

By Portal de Canoas