FMI reavalia expectativa de crescimento econômico do Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo suas expectativas de crescimento da economia do Brasil para os anos de 2026 e 2027. Segundo o relatório intitulado Perspectivas da Economia Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 2,2% em 2023 e 1,9% em 2024. Na análise anterior, divulgada em julho, as previsões eram de um avanço de 2,4% em 2026 e de 2,2% em 2027.

Essa alteração reflete uma expectativa de desaceleração na atividade econômica do país nos próximos trimestres. O cenário é caracterizado por taxas de juros elevadas, diminuição dos incentivos fiscais e incertezas no panorama internacional. O FMI destaca que as condições monetárias restritivas estão limitando a expansão da economia, visto que o encarecimento do crédito tende a desestimular tanto o consumo das famílias quanto os investimentos empresariais.

Embora tenha reduzido suas previsões, a projeção do FMI para o crescimento brasileiro em 2026 ainda supera as estimativas do governo federal e das instituições consultadas pelo Banco Central. Em setembro, o Ministério da Fazenda, através da Secretaria de Política Econômica, ajustou sua previsão de crescimento do PIB de 2,3% para 2%. Por outro lado, o relatório Focus, que compila as expectativas dos analistas do mercado financeiro, indicava uma expansão menor: 1,85% para 2026 e 1,40% para 2027.

A situação da economia brasileira está intimamente ligada à política monetária utilizada para conter a inflação. A taxa Selic influencia diretamente os custos dos financiamentos, a acessibilidade ao crédito e as decisões relacionadas a consumo e investimento. Com os juros mantidos em níveis elevados, tende-se a observar uma desaceleração na atividade econômica; no entanto, a resposta sobre os preços depende também de outros fatores como a oferta de produtos, as condições do mercado de trabalho e aspectos externos.

O relatório também apresentou uma revisão negativa nas previsões para a América Latina e Caribe. O FMI agora espera um crescimento de apenas 2,3% para essa região em 2026, abaixo dos 2,4% anteriormente estimados. Para o ano seguinte, a previsão caiu de 2,7% para 2,5%.

A instituição afirma que os países dessa região estão se beneficiando menos do avanço da inteligência artificial em comparação com outras economias que conseguem utilizar o crescimento do setor tecnológico para amenizar os efeitos negativos causados pela crise energética decorrente da guerra no Oriente Médio.

Os impactos da alta nos preços da energia variam entre as nações conforme sua posição no mercado internacional de commodities. Países exportadores podem ver um aumento nas receitas enquanto importadores enfrentam custos mais altos. A magnitude desses efeitos também depende da credibilidade das políticas econômicas implementadas e dos mecanismos utilizados para controlar a inflação.

Diferentemente do que acontece na América Latina, o FMI aumentou ligeiramente sua previsão de crescimento global para 2026, passando de 3% para 3,1%. Essa revisão reflete como o desempenho das economias é afetado pela exposição aos choques internacionais, pelas condições financeiras vigentes e pela capacidade de capitalizar sobre os investimentos tecnológicos.

By Portal de Canoas