Crescimento da canola no RS: área cultivada mais que dobra e promete impulsionar a renda rural e o setor de biodiesel

Crescimento da canola ultrapassa 100% em um ano, fortalecendo a interação entre agricultores, cerealistas e a indústria de biocombustíveis

No Rio Grande do Sul, a canola encontra-se em um dos períodos mais significativos de sua história. A demanda crescente por combustíveis sustentáveis e a busca por alternativas rentáveis durante o inverno levaram a oleaginosa a mais que dobrar sua área cultivada no estado, consolidando-se como um componente fundamental na cadeia do biodiesel no Brasil.

Essa evolução foi ressaltada na terça-feira (13), durante o evento de Abertura Nacional da Colheita da Canola e Carinata 2026, realizado em Ijuí, na região Noroeste do estado. De acordo com dados da Emater/RS-Ascar, a área destinada ao cultivo de canola saltou para 353.397 hectares nesta safra, apresentando um crescimento de 102,64% em comparação aos 174.394 hectares registrados em 2025.

Esse resultado ilustra o crescente interesse dos agricultores por uma cultura que combina diversificação produtiva com geração de receita e fornecimento de insumos para a indústria de energias renováveis. Além de seu uso na produção de óleo comestível, a canola se destaca na fabricação de biodiesel, um setor que busca aumentar a proporção de fontes renováveis na matriz energética do país.

Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), ressalta que as características da canola são cada vez mais valorizadas pelo mercado. “A canola é um dos produtos no Brasil que nos possibilitam alimento e energia, e não apenas alimento ou energia”, enfatizou.

Goergen acredita que o aumento da produção pode desencadear um novo ciclo de desenvolvimento econômico no campo, contanto que haja uma organização adequada da cadeia produtiva. Para ele, a integração entre agricultores, cerealistas e indústrias de biocombustíveis será essencial para transformar esse crescimento em uma renda sustentável para os produtores.

<p“A previsibilidade é crucial para o agronegócio. É vital consolidar a produção da matéria-prima e também conectar isso às empresas cerealistas ou produtoras de biocombustível. Não consigo vislumbrar outra maneira para garantir renda efetiva no campo”, afirmou.

Além de ser uma alternativa ao trigo e outras culturas tradicionais do inverno, a canola permite o aproveitamento total da produção. Enquanto o óleo abastece os mercados alimentício e energético, o farelo resultante do processamento é utilizado na alimentação animal, agregando valor à cadeia.

A opinião do setor é que a expansão dessa cultura coloca o Rio Grande do Sul em uma posição privilegiada no fornecimento de insumos para biodiesel e fortalece o papel do agronegócio gaúcho na transição para uma economia com baixo carbono, sem comprometer a produção de alimentos ou a geração de renda rural. (Gisele Flores – [email protected])

By Portal de Canoas